Romero Jucá afirma que a autonomia do Banco Central precisa ser fortalecida para evitar repetições da crise do Banco Master, e defende a PEC que consolida a independência orçamentária e financeira da autarquia
O ex-senador Romero Jucá afirmou que é necessária uma ampliação da autonomia do Banco Central para impedir que episódios como o do Banco Master se repitam.
Jucá disse que atuou em favor de uma proposta de emenda constitucional que consolida a autonomia orçamentária e financeira da instituição, e cobrou ajustes nos procedimentos do BC.
As declarações foram dadas em entrevista ao WW, e surgem no contexto de investigação policial e medidas administrativas relacionadas ao Master, conforme informação divulgada pelo WW.
O que disse Romero Jucá
Segundo Jucá, “A autonomia do Banco Central é fundamental, por questões como essa. […] O Banco Central precisa ser fortalecido para que não ocorram” mais casos como o do Master.
Ele avaliou, ainda, que considerando a regulação do SFN, “é inacreditavel o tamanho que tomou a crise do Banco Master”.
Detalhes da crise do Banco Master
Em novembro passado, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master após averiguar “grave crise de liquidez do Conglomerado Master e comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”.
Paralelamente, a Polícia Federal investigava uma fraude avaliada em R$ 12 bilhões por parte dos donos do Master, e apurou-se que o banco, ao notar a crise de liquidez, fabricou carteiras de crédito falsa para tentar vender ativos e levantar recursos.
O Master tentou vender parte de seus negócios duas vezes em 2025, primeiro ao BRB, que enfrenta dificuldades financeiras e busca se reestruturar, e depois ao Grupo Fictor, em recuperação judicial desde fevereiro.
Implicações e próximos passos para a autonomia do Banco Central
Jucá criticou a atuação do BC em momentos anteriores, afirmando que o banco “não agiu” durante o mandato anterior, e neste “agiu de forma atrasada”.
Ele acrescentou que “Acabou dando vez para que tivesse um buraco de R$ 60 bilhões num banco pequeno, um impacto no Fundo Garantidor [de Créditos] arrastando outros agentes financeiros nessa situação. O Banco Central falhou, mas acho que vai ajustar esses procedimentos”, pontuou.
Para Jucá, a aprovação da PEC que consolida a autonomia orçamentária e financeira do BC é uma medida necessária para fortalecer a fiscalização e os mecanismos de prevenção, e para resguardar o sistema financeiro contra práticas fraudulentas e falhas de supervisão.