EUA e Irã em negociação: vice de Trump detalha avanços e impasses em acordo provisório
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, trouxe novas informações sobre as complexas negociações entre EUA e Irã, indicando que, embora haja progresso, pontos cruciais ainda estão em discussão. A assinatura de um memorando de entendimento provisório com o Irã ainda não é garantida, e o futuro do acordo permanece incerto, segundo o vice-presidente.
As declarações foram feitas por Vance a repórteres na quinta-feira (28), na Base Aérea Conjunta Andrews. Ele enfatizou que, apesar de um otimismo cauteloso, algumas questões-chave sobre o programa nuclear iraniano e o enriquecimento de urânio ainda precisam ser resolvidas para que um acordo seja selado.
“Estamos discutindo alguns pontos importantes”, declarou Vance, acrescentando que as negociações estão em andamento e que, até o momento, o Irã parece estar agindo de boa-fé. Conforme informação divulgada pelo próprio vice-presidente, o futuro do acordo ainda está indefinido, mas ele espera que o presidente Trump esteja em posição de endossá-lo.
Pontos-chave em debate: programa nuclear e urânio
O vice-presidente JD Vance detalhou que as divergências centrais residem em questões relacionadas ao material nuclear, ao estoque de urânio altamente enriquecido e ao próprio processo de enriquecimento. Esses são os “pontos importantes” que ainda estão sendo negociados com o Irã.
“Há algumas questões pendentes sobre o material nuclear, o estoque de urânio altamente enriquecido e também a questão do enriquecimento”, explicou Vance. Ele ressaltou a importância desses temas para a segurança global e para as relações futuras entre os dois países.
Apesar da complexidade, Vance demonstrou otimismo, afirmando: “Não posso garantir que chegaremos lá, mas, no momento, estou bastante otimista”. A expectativa é que mais progresso seja feito para que um acordo seja alcançado.
Cessar-fogo e tensões regionais: um equilíbrio delicado
Vance também comentou sobre o cessar-fogo em vigor na região, apesar da recente troca de ataques entre os EUA e o Irã. Ele reconheceu que esses acordos são “sempre um pouco complicados” e que “às vezes, essas situações geram pequenos conflitos”.
Os Estados Unidos, no entanto, se reservam o direito de lançar ataques defensivos, caso necessário. Essa postura reflete a cautela e a necessidade de garantir a segurança das tropas americanas na região, especialmente em áreas próximas ao Estreito de Ormuz.
O clima na região continua tenso, com o Irã acusando os EUA de violações repetidas do cessar-fogo e de ataques a navios mercantes iranianos. Washington, por sua vez, confirma ter realizado ataques de “autodefesa” contra posições iranianas.
Busca por um acordo: diplomacia mediada e divergências específicas
O presidente Donald Trump convocou uma reunião de gabinete na Casa Branca para discutir as negociações diplomáticas, que estão sendo mediadas pelo Paquistão. O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou que ainda existem divergências sobre pontos específicos do texto do acordo.
Trump tem reiterado que os EUA não irão “se precipitar em um acordo”, apesar de reconhecer que as negociações estão avançando de maneira “ordenada e construtiva”. A cautela americana visa garantir um acordo que atenda aos interesses de segurança dos Estados Unidos.
Proposta em discussão: fim gradual das hostilidades e temas complexos
Segundo autoridades iranianas, cerca de 14 pontos principais já foram concluídos em um possível memorando de entendimento. No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, alertou que isso não significa que um acordo esteja próximo de ser finalizado.
A proposta em debate prevê o fim gradual das hostilidades e um prazo de até 60 dias para negociações mais aprofundadas sobre temas considerados mais complexos, especialmente o programa nuclear do Irã. Este último ponto é um dos principais focos de divergência com Washington.
O diplomata iraniano Hossein Nooshabadi mencionou que o acordo preliminar incluiria o fim da guerra em todas as frentes, liberação de ativos iranianos bloqueados, levantamento do bloqueio naval dos EUA, abertura do Estreito de Ormuz, retirada das forças americanas das proximidades do Irã e liberdade para vender petróleo iraniano. Contudo, o texto preliminar não aborda compromissos diretos sobre o programa nuclear do Irã.