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Tem dia em que a rotina em casa parece até mais puxada do que a estrada. Ainda mais quando o caminhão está parado na oficina, a cabeça não desliga e as contas começam a se empilhar. Foi exatamente assim por aqui: no meio da espera para arrumar o motor do Scania, precisei tocar a vida, resolver pendências, cuidar de mim, da casa e ainda organizar os próximos passos para colocar o bruto de volta no trabalho.

E não foi qualquer susto. Com 400 mil km, o motor deu problema. Sinceramente, é uma daquelas coisas difíceis de engolir, principalmente quando o caminhão sempre recebeu manutenção e eu sempre tive cuidado com produto certo, revisão certa e peças de qualidade.

Quando o motor dá problema antes da hora, o baque é grande

Uma das coisas que mais pesam numa situação dessas não é só o conserto em si. É o conjunto inteiro: o atraso da viagem, a carga reagendada, a pressão psicológica, o telefone tocando com notícia de oficina e a sensação de que, quando um problema aparece, ele nunca vem sozinho.

No meu caso, o serviço acabou sendo uma parcial do motor. O defeito não era algo simples, e houve um detalhe que atrasou ainda mais tudo: a camisa que tinham à disposição não serviu. Foi necessário pedir uma camisa sob medida, o que aumentou o tempo de espera.

No fim, o bloco precisou de um acerto mínimo, praticamente “tirar uma unhazinha”, para a camisa sob medida encaixar perfeitamente. Felizmente, o problema não evoluiu para algo ainda maior.

O que ajudou a evitar um prejuízo ainda pior

Mesmo com o susto, houve um cuidado que fez toda a diferença: desde que apareceu o vazamento, foi usado o líquido correto no sistema, com água desmineralizada, sem improviso e sem rodar de qualquer jeito.

Isso é importante porque muita gente só percebe o tamanho do problema quando o bloco já sofreu mais do que devia. E aí o prejuízo sobe muito. Nesse caso, esse cuidado com o arrefecimento ajudou a segurar a situação até chegar na mecânica e abrir o motor para descobrir exatamente o que estava acontecendo.

Depois do motor, ainda faltava o radiador

Consertar o motor não significava simplesmente pegar o caminhão e sair trabalhando. Antes disso, ainda faltava uma etapa essencial: fazer uma geral no radiador.

A ideia era buscar o caminhão na oficina do motor e levá-lo diretamente para o profissional responsável pelo radiador, para:

  • Varetear o radiador
  • Fazer a limpeza completa do sistema
  • Recolocar os líquidos corretos
  • Garantir que o sistema de arrefecimento ficasse impecável

E isso faz todo sentido. Um motor recém-feito merece cuidado de zero km. Não adianta mexer numa parte tão cara e delicada e deixar o sistema de arrefecimento sem revisão completa.

O aditivo original da Scania: caro, mas essencial

Uma coisa da qual eu não abro mão é usar o aditivo concentrado original da Scania. É caro? Muito. Cada galão custa cerca de R$ 380. Mas, quando se fala de caminhão, produto certo não é luxo. É prevenção.

Durante muito tempo, toda a manutenção foi feita dentro da própria Scania. Sempre usei o original justamente porque acredito que, nessas partes sensíveis do caminhão, economizar errado sai mais caro depois.

Só que, dessa vez, quando apareceu o problema no motor, eu optei por fazer o orçamento fora. O motivo foi simples: a diferença de preço era gigante.

Por que tirei o caminhão da Scania para fazer o motor fora

Se o caminhão sempre foi cuidado com padrão de concessionária e, mesmo assim, o motor deu problema com 400 mil km, eu precisei olhar a situação de forma prática. O orçamento fora da Scania ficou muito mais viável.

Na oficina onde o motor foi feito, só de mão de obra e peças, a conta ficou em torno de R$ 13 mil.

Na Scania, inicialmente falaram em R$ 26 mil, mas esse valor ainda aumentaria mais R$ 4 mil, dependendo da forma de pagamento e da aprovação de parcelamento por um banco parceiro. Se não desse certo parcelar sem juros, ainda entrariam os juros do cartão, o que elevaria ainda mais a conta.

No papel, a diferença era grande demais para ignorar.

A conta real nunca é só uma

Quem não vive esse mundo às vezes pensa que o prejuízo é só o conserto principal. Mas, na prática, não é assim. O caminhão para, o serviço atrasa e, junto com ele, vêm várias outras despesas.

Além do motor, ainda tinham outros custos acumulando:

  • Troca de óleo de dois caminhões
  • Revisão das rodas da carreta
  • Troca de sete lonas de freio
  • Serviço do radiador

Somando tudo, a conta já se aproximava de R$ 50 mil. E é aí que mora o peso real da vida na estrada. Não é uma coisinha aqui e outra ali. É um montante que vai vindo de vários lados ao mesmo tempo.

Enquanto o caminhão não fica pronto, a vida em casa continua

No meio de toda essa correria, a rotina dentro de casa não para. Tem roupa da viagem para recolher, tem comida para fazer, louça para lavar, cabelo para cuidar, corpo para manter em dia e até imprevisto doméstico para resolver.

Apareceu até rato dentro de casa. Foi veneno espalhado pelos cantos para evitar que voltasse. Porque é assim mesmo: quando parece que já tem problema suficiente, surge mais um no meio do caminho.

E eu sou daquelas pessoas que gostam de tudo organizado. Louça suja me incomoda, coisa fora do lugar me irrita. Então, mesmo no caos, eu acabo colocando a casa em ordem porque isso também ajuda a organizar a cabeça.

Autocuidado no meio do caos também é necessidade

Tem gente que acha que, quando a vida aperta, cuidar de si mesma vira frescura. Para mim, é o contrário. Justamente quando tudo está pesado é que a gente precisa se segurar mais.

Entre uma preocupação e outra, tirei um tempo para me arrumar, hidratar o cabelo e seguir com pequenas coisas do dia a dia. Pode parecer simples, mas faz diferença. A vida já cobra demais para a gente ainda se abandonar no meio do processo.

Também estou tentando reduzir o café. Antes fazia parte da rotina com mais frequência, mas agora a meta é tomar uma vez por dia, no máximo duas quando acontece alguma exceção. À noite, a ideia é trocar pelo chá para dar uma acalmada.

Comida simples, sustância e gosto de roça

Em dia puxado, comer bem é obrigação. Não dá para enfrentar oficina, gasto, ligação e preocupação de barriga vazia.

Uma escolha que mantenho na cozinha é cozinhar com banha de porco. Eu gosto, cresci com esse sabor e prefiro assim. Venho do sítio, então esse tipo de comida faz parte da minha vida desde pequena. E, para mim, é melhor do que usar gordura vegetal industrializada.

Quando dá, gosto de preparar as coisas de forma mais simples e mais próxima do natural. E ainda teve um agrado especial no dia: aquele bolinho que só encontro na minha cidade e que faz falta quando estou viajando. Coisa simples, mas que traz um conforto danado.

Academia faz parte da rotina, mesmo nos dias difíceis

Antes de buscar o caminhão, ainda encaixei treino. E isso não é vaidade apenas. É constância de anos.

Eu treino há mais de 10 anos, então academia já faz parte da minha rotina. Muita gente pergunta se tenho silicone, mas não tenho. O resultado vem de genética somada com treino. E, sendo bem sincera, quando fico muito tempo sem treinar, eu percebo a diferença no corpo.

Por isso, mesmo num dia cheio, fui lá, treinei uma hora e só depois segui para resolver o resto. Às vezes, esse momento da academia é justamente o que ajuda a manter a mente no lugar.

Buscar o caminhão pronto é um alívio, mas não o fim do processo

Depois do treino, chegou a hora de ir até a oficina buscar o caminhão. A parte do motor estava pronta. Foi aquele alívio de saber que, pelo menos, essa etapa mais pesada tinha sido concluída.

Mas ainda restava a última fase antes de voltar para a estrada: deixar o bruto no radiador para o serviço começar no dia seguinte cedo. Só depois disso o caminhão estaria realmente em condições de voltar ao trabalho com segurança.

Quando se mexe com motor, especialmente depois de um problema desse tamanho, não dá para pular etapa. O sistema de arrefecimento precisa acompanhar a qualidade do serviço feito no motor.

Até uma visita rápida vira reflexão

No fim do dia, ainda passei numa loja em Tubarão daquelas que têm de tudo um pouco, estilo loja grande, cheia de variedades. Eu gosto desse tipo de lugar.

Mas o que mais chamou a atenção ali não foram os produtos. Foi a história do dono. A loja tinha pegado fogo e ele perdeu tudo. Mesmo assim, reabriu o negócio.

Isso faz a gente pensar. Todo mundo passa por fase ruim. Cada um com seu prejuízo, sua luta, sua reconstrução. Às vezes a gente está tão mergulhada nos próprios problemas que esquece que tem muita gente recomeçando também.

A pressão psicológica de trabalhar com caminhão

Uma coisa que pouca gente entende de verdade é o nível de estresse psicológico de viver de caminhão. Não é só dirigir e entregar carga.

É lidar com:

  • Imprevisto mecânico
  • Conta alta de manutenção
  • Reagendamento de carga
  • Prazo
  • Telefone tocando com novidade da oficina
  • Medo de aparecer mais problema
  • Necessidade urgente de voltar a trabalhar para cobrir o prejuízo

Esse tipo de vida deixa a pessoa em estado de alerta o tempo todo. A cabeça nunca descansa completamente. É uma profissão em que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento, e isso desgasta demais.

Não é exagero dizer que a estrada envelhece a gente. O nível de tensão é alto, constante e, muitas vezes, invisível para quem olha de fora.

Quando a maré parece ruim, só resta assumir o prejuízo e seguir

Teve muita sensação de azar nesses últimos tempos. Um problema atrás do outro, uma despesa em cima da outra. E quando um caminhão com 400 mil km dá pau no motor, realmente dá vontade de perguntar o que está acontecendo.

Mas nem sempre existe explicação pronta. Tem hora que não adianta sofrer tentando controlar o que está fora da nossa mão. O que dá para fazer é:

  • Resolver tecnicamente o problema
  • Evitar improviso na manutenção
  • Organizar as contas
  • Reagendar o trabalho
  • Voltar para a estrada o quanto antes

A carga já ficou reagendada para segunda-feira, então a expectativa era terminar o radiador e finalmente retomar o ritmo de trabalho. Porque, no fim das contas, depois de um prejuízo desses, a saída é uma só: trabalhar.

O que fica dessa fase

Essa rotina em casa, esperando o conserto do motor, mostrou mais uma vez como a vida da caminhoneira vai muito além da estrada. Tem mecânica, gestão, casa, corpo, mente, alimentação, cansaço e muita resiliência envolvida.

Fica também um aprendizado importante: manutenção correta e cuidado com o sistema de arrefecimento não são detalhe. Produto certo, revisão certa e atenção rápida ao primeiro sinal de problema podem evitar uma dor de cabeça ainda maior.

E, no meio de tudo isso, ainda é preciso se lembrar de respirar, tomar um chá no fim do dia, descansar um pouco e juntar forças para o próximo round. Porque na vida do caminhão, quando uma fase passa, já tem outra esperando. E a gente segue.

By Ana Clara Martins

Ana Clara Martins é jornalista e redatora especializada em cultura pop, entretenimento e tendências digitais. Atua há mais de 5 anos na produção de conteúdo para blogs, portais e redes sociais, sempre com foco em engajamento e credibilidade.