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Mudanças no caminhão, perrengues na estrada e um desabafo sincero

Tem dia que a rotina da estrada é assim: fila de classificação, café quente na mão para espantar o frio, um monte de coisa para resolver no caminhão e, no meio disso tudo, ainda sobra tempo para planejar mudança no visual do bruto.

Foi exatamente nesse clima que comecei mais um dia. Cheguei à noite no carregamento, já estava tudo fechado, então só restou esperar o classificador chegar de manhã. E olha, espera no frio não é brincadeira. A mão congela, o corpo fica encolhido, e a única solução é um cafezinho para dar uma acordada.

Mas já que eu estava ali parada, aproveitei para resolver uma coisa que vinha me incomodando fazia tempo: a aparência da caixa de cozinha.

A caixa estava pedindo socorro

Quem vive na estrada sabe que sol, poeira, cola velha e tempo acabam com qualquer acabamento. No meu caso, tinha uma parte colada ali que ficou horrorosa depois que precisei arrancar. Aqueles adesivos e acabamentos que ficam expostos ao sol vão enrugando, acumulando sujeira e chega uma hora que não tem mais jeito bonito de tirar. É na marra mesmo.

Resultado: ficou feio e eu resolvi correr atrás de orçamento para envelopar.

Fui medir certinho a área para passar para o rapaz que faz esse tipo de serviço. A medida era 1,20 por 63. Com isso em mãos, mandei mensagem e fiquei aguardando retorno com o valor.

Quanto custa plotar a caixa de cozinha?

Mais tarde veio a resposta: R$ 230 para fazer a plotagem.

A ideia é colocar um cinza mais escuro, parecido com a cor da Boca de Jacaré. A caixa da Randon tem um cinza mais claro, mas eu preferi fugir disso por um motivo bem simples: cor muito clara suja demais. E na estrada não adianta pensar só em estética. Tem que pensar no que fica bonito, mas também no que é prático.

Então a mudança ficou decidida assim:

  • Serviço: plotagem da caixa
  • Valor: R$ 230
  • Cor escolhida: cinza mais escuro
  • Motivo: combinar melhor com o conjunto e sujar menos

É aquele tipo de detalhe que parece pequeno, mas faz diferença no visual do caminhão inteiro.

Nem toda solução serve para todo tipo de carga

No meio desse planejamento da plotagem, tinha outro problema muito mais urgente para resolver: vazamento nas tampas.

Começou a vazar e isso sempre vira dor de cabeça. Só que muita gente sugere solução sem considerar o tipo de operação que a gente faz. E no meu caso isso pesa muito, porque eu não trabalho só com um tipo de carga.

Tem gente que fala para colocar forro no fuleiro ou instalar lona fácil. Só que isso funciona melhor para quem carrega exclusivamente grão. Quando a carreta também pega carga paletizada, a realidade é outra.

Como eu alterno entre grão e carga paletizada, preciso abrir todas as tampas. Se eu fizer uma adaptação pensando apenas no graneleiro, depois vou arrumar serviço dobrado toda vez que mudar o tipo de carga.

Na prática, o problema é este:

  • Para grão, algumas soluções fixas ajudam bastante
  • Para carga paletizada, é necessário abrir totalmente as tampas
  • Se a carreta faz os dois tipos de frete, a adaptação pode atrapalhar mais do que ajudar

Ou seja, não é falta de querer resolver. É que o caminhão precisa acompanhar a operação real. Quem roda com carga variada sabe disso muito bem.

Vida na estrada é escolha prática o tempo todo

Muita decisão no caminhão não passa só pelo “ficou bonito” ou “seria mais fácil”. Passa por logística, rotina e tipo de frete.

Essa é uma parte da estrada que nem sempre aparece para quem está de fora. Às vezes uma mudança simples exige pensar em:

  • frequência de uso
  • tipo de carregamento
  • tempo gasto para abrir e fechar tudo
  • manutenção futura
  • custo-benefício de fazer agora

Por isso, antes de mexer em qualquer coisa, eu observo se aquilo vai servir no dia a dia de verdade. Porque depois quem fica desmontando, ajustando e perdendo tempo sou eu.

Um desabafo importante sobre perfis falsos e uso indevido de imagem

No meio da conversa sobre caminhão, teve uma coisa séria que eu precisei colocar para fora.

Há muito tempo aparecem perfis falsos usando meu nome, minhas fotos e meus vídeos em plataformas como Facebook e Telegram, dizendo que eu vendo conteúdo adulto. Isso é mentira.

Usam imagem minha, fazem montagem, pegam corpo de outra pessoa, misturam com foto minha e inventam uma personagem que não existe. E agora, com inteligência artificial, esse tipo de abuso ficou ainda pior. Pegam uma imagem comum, manipulam e tentam vender como se fosse real.

Isso machuca, revolta e cansa. Principalmente quando a gente trabalha de forma honesta, mostra a rotina verdadeira da boleia e vê a própria imagem sendo usada para golpe e mentira.

Então deixo um pedido muito claro:

  • Se aparecer perfil falso com meu nome, denuncie
  • Se alguém oferecer suposto conteúdo meu, não acredite
  • Se encontrar montagem ou anúncio enganoso, não compartilhe
  • Bloquear ajuda, mas denunciar é o que pode derrubar a conta

É importante falar disso porque muita gente ainda cai. E quando a pessoa compra, compartilha ou alimenta esse tipo de conteúdo, fortalece um abuso que é criminoso e profundamente desrespeitoso.

Eu sou caminhoneira de verdade, do trabalho real, da estrada, do frio, da fila, do carregamento, da manutenção e do cansaço. Não tenho nada a ver com esse tipo de perfil que inventam por aí.

Pegar a estrada com fome e vontade de chegar

Depois de resolver o que dava, peguei a rodovia rumo de casa. Eu já ia sair para viajar de novo no dia seguinte, mas como a descarga seria só na segunda-feira, não fazia sentido sair com antecedência demais. Como a distância era de cerca de dois dias de viagem, dava para passar em casa, arrumar o que precisava e seguir depois.

Só que aí entra outro clássico da estrada: a fome acumulada.

Eu tinha almoçado meio-dia. Depois disso, praticamente nada de comida de verdade. Só café. O lanche da tarde já tinha acabado, o bolinho tinha ficado em casa e, quando a gente entra nesse ritmo, só pensa em chegar logo.

Não quis parar para comer no caminho. Quando a cabeça fixa em casa, não tem restaurante que convença. A meta era simples: acelerar, seguir firme e chegar.

O plano era enfrentar mais umas 4 a 5 horas de viagem, chegando por volta das 11 da noite. No fim, demorou mais.

Quando até a borracharia já fechou

Tinha ainda a intenção de mexer nos pneus e fazer a calibragem num lugar que eu gosto. Só que passei tarde demais e a borracharia já estava fechada.

Isso também faz parte da rotina. Nem sempre dá para resolver tudo no mesmo dia. Às vezes o melhor é deixar para outro ponto na BR, em outro horário, num lugar mais tranquilo. Estrada exige flexibilidade o tempo todo.

Chegada em casa à 1 da manhã

No fim das contas, cheguei em casa à 1 hora da manhã.

Aquela hora em que o corpo já desligou, a cabeça está no automático e tudo o que você quer é tomar banho, secar o cabelo e cair na cama. Foi exatamente isso.

Mas mesmo chegando tarde, o dia seguinte já estava organizado na cabeça. Tinha que:

  • mexer na tampa para resolver o vazamento
  • dar andamento na plotagem da caixa
  • deixar o caminhão pronto para a próxima viagem

Porque a estrada não espera. A gente descansa um pouco, ajeita o que precisa e já se prepara para sair de novo.

Mudanças pequenas também contam

Às vezes, quando se fala em mudança no caminhão, o pessoal pensa logo em reforma grande, acessório caro ou transformação completa. Mas nem sempre é isso.

Tem mudança que é discreta, prática e muito necessária. Uma plotagem bem feita, um reparo em tampa que está vazando, uma calibragem deixada para o próximo ponto, um planejamento certo da viagem. Tudo isso faz parte de manter o bruto bonito, funcional e pronto para o serviço.

E no fim é isso que importa: o caminhão acompanhar a vida real que a gente leva.

Resumo do dia na boleia

  • Manhã gelada na fila da classificação, com café para espantar o frio
  • Medição da caixa de cozinha para fazer orçamento da plotagem
  • Valor fechado em R$ 230 para envelopar em cinza mais escuro
  • Problema de vazamento nas tampas precisando de ajuste em casa
  • Explicação sobre por que certas soluções não servem para quem carrega grão e paletizado
  • Desabafo importante sobre perfis falsos e montagens com uso indevido de imagem
  • Viagem de volta com fome, sem parar para comer, focada só em chegar
  • Chegada em casa à 1h da manhã para descansar e retomar tudo no dia seguinte

No meio de tanto corre, ainda tem espaço para cuidar dos detalhes, defender a própria imagem e seguir firme. Essa é a vida na estrada como ela é: cansativa, corrida, cheia de imprevisto, mas também cheia de decisão, coragem e vontade de deixar tudo do jeito certo.