Papa Leão XIV aborda a revolução da Inteligência Artificial em encíclica inédita, “Magnifica Humanitas”, lançada nesta segunda-feira (25).
O Vaticano anunciou que a primeira encíclica aprofundada do Papa Leão XIV tratará da ascensão da inteligência artificial, detalhando suas preocupações sobre o avanço tecnológico.
Fontes indicam que o documento, intitulado “Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade), provavelmente condenará o uso da IA em conflitos bélicos e discutirá os desafios que a tecnologia impõe aos direitos dos trabalhadores.
A encíclica, formalmente assinada pelo Papa em 15 de maio, representa um marco importante, e sua apresentação contará com a participação inédita do pontífice, quebrando tradições papais. Conforme informação divulgada pelo Vaticano.
Um Pontífice Inovador e Suas Prioridades
Leão XIV, o primeiro papa americano, participará pessoalmente da apresentação do texto no Vaticano, um ato incomum que foge da prática tradicional de delegar tais tarefas a cardeais ou assessores de imprensa.
As encíclicas são consideradas uma das mais elevadas formas de ensinamento de um pontífice para os mais de 1,4 bilhão de fiéis católicos ao redor do mundo. Elas geralmente delineiam as prioridades do papa, focando em questões sociais e morais cruciais para a sociedade contemporânea.
O documento promete abordar especificamente “a proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial”, sinalizando a centralidade deste tema na agenda do pontificado.
Inteligência Artificial, Direitos Trabalhistas e Paz Mundial
Nas últimas semanas, Leão XIV tem sido vocal em suas críticas à direção tomada pela liderança mundial, chegando a expressar descontentamento com a guerra nos EUA e Israel contra o Irã, o que gerou reações do presidente Donald Trump.
A encíclica, em elaboração há meses, deve oferecer um panorama abrangente sobre direitos trabalhistas, possivelmente a orientação mais completa da Igreja sobre o tema em décadas. A assinatura do texto em 15 de maio coincidiu com o 135º aniversário de uma encíclica do Papa Leão XIII, que clamava por melhores condições e salários para os operários.
Leão XIV, que completou um ano de papado em 8 de maio, já alertou repetidamente sobre os perigos da IA. Em um discurso recente na maior universidade da Europa, ele condenou o uso da tecnologia em guerras, citando conflitos na Ucrânia, Gaza, Líbano e Irã como exemplos da “evolução desumana da relação entre guerra e novas tecnologias em uma espiral de aniquilação”.
Parceria com a Anthropic e a Busca por Salvaguardas
A presença de Chris Olah, cofundador da empresa de IA Anthropic, no evento de lançamento da encíclica, pode indicar uma aproximação com as pesquisas da empresa sobre os mecanismos de redes neurais que fundamentam a inteligência artificial.
A Anthropic já demonstrou divergências com o governo Trump, especialmente por sua insistência em salvaguardas que limitem o uso de seus modelos para fins militares, como o direcionamento autônomo de armas ou a vigilância doméstica.
Em seu primeiro ano de pontificado, Leão XIV também divulgou outro documento relevante, concluindo uma exortação apostólica iniciada pelo Papa Francisco. Essa exortação solicitava mudanças significativas no sistema de mercado global para combater a crescente desigualdade de riqueza.
Contexto das Encíclicas Papais
A última encíclica publicada por Francisco em outubro de 2024 exortava os católicos a abandonarem a “busca desenfreada” por dinheiro e a se dedicarem mais intensamente à sua fé.
Documentos como a “Magnifica Humanitas” são essenciais para guiar a comunidade católica em questões éticas e sociais complexas, especialmente em um mundo cada vez mais moldado pela tecnologia e pela inteligência artificial.