Mounia Orosemane, a pioneira negra da alta-costura, volta a brilhar nas passarelas de Paris aos 76 anos.
A moda parisiense foi palco de um momento histórico na última segunda-feira (28), com o aguardado retorno de Mounia Orosemane às passarelas. Considerada uma das primeiras modelos negras a deslumbrar no universo da alta-costura, a martinicana de 76 anos marcou presença na Semana de Moda de Paris, revivendo o glamour que a consagrou.
Trajando um imponente vestido preto longo e volumoso, Mounia Orosemane abriu a seção de alta-costura do desfile de verão 2027 da grife Matières Fécales. O evento, que apresentou um casting com 99 modelos não brancos, aconteceu na Place de la République e celebrou a diversidade em sua forma mais pura.
A presença de Mounia não é apenas um retorno, mas uma reafirmação de seu legado. Sua jornada, que começou longe dos holofotes, é uma inspiração. Conforme divulgado em reportagens sobre sua carreira, Monique-Antonie Orosemane nasceu em 1959, em Saint-Esprit, na Martinica. Antes de se tornar um ícone da moda, ela trabalhava como locutora no aeroporto local, anunciando voos.
Do aeroporto à fama: a ascensão de Mounia Orosemane
A mudança para Paris, aos 19 anos, para trabalhar no aeroporto de Orly, marcou o início de uma nova fase. Com o sonho de ser comissária de bordo, Mounia não imaginava que seu destino seria traçado nas passarelas da capital francesa. Sua beleza e presença logo chamaram a atenção.
A primeira grande oportunidade veio com a renomada grife Givenchy. Naquela época, modelos negras como Iman, Beverly Johnson e Pat Cleveland já abriam caminhos na indústria, mas Mounia estava prestes a fazer história de uma maneira ainda mais significativa.
O encontro com Yves Saint Laurent e o marco na alta-costura
A beleza única da martinicana encantou Yves Saint Laurent, que a elegeu como sua musa. Em 1978, Mounia Orosemane cruzou a passarela de alta-costura da casa de moda francesa, um feito inédito que a consagrou como a primeira modelo negra a desfilar em uma apresentação de alta-costura.
Em entrevista à revista W em 2008, Mounia relembrou o impacto de sua colaboração com o estilista: “Eu fui a primeira musa negra [de Yves Saint Laurent]. Ele ajudou a abrir as portas para modelos negras. Às vezes eu era sua confidente e outras vezes inspirava sua criatividade. Ele me chamava de Moumounn”.
A coleção inspirada em “Porgy and Bess” foi um divisor de águas em sua carreira. “Eu usava um terninho rosa e um chapéu de palha. Desfilei ao som de ‘Summertime’ e realmente incorporei a personagem de Bess”, relatou. A performance foi tão marcante que Catherine Deneuve se levantou para aplaudir, seguida por toda a plateia, que gritava “Bravo!”. Yves Saint Laurent, emocionado, abraçou Mounia, um momento que ela descreveu como histórico.
Um legado que inspira gerações
Ao longo de sua carreira, Mounia representou a grife em cerca de 20 capas de revista e continuou a desfilar nas décadas de 1970 e 1980, abrindo portas para futuras potências como Naomi Campbell e Tyra Banks. Sua carreira, embora curta, foi extremamente bem-sucedida.
Após se aposentar das passarelas, Mounia Orosemane dedicou-se às artes plásticas. Suas pinturas abstratas, conhecidas por suas cores vibrantes, já foram expostas em galerias ao redor do mundo, demonstrando sua versatilidade e talento multifacetado.
O retorno de Mounia às passarelas é um tributo à sua trajetória e um lembrete poderoso da importância da representatividade e da quebra de barreiras na indústria da moda. Sua presença em Paris é uma celebração de um legado que continua a inspirar.
