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Leilão Histórico: Van Gogh e Cézanne Podem Quebrar Recordes com Obras Raras Avaliadas em R$ 1,5 Bilhão

Sotheby’s anuncia leilão de obras-primas de Van Gogh e Cézanne que podem atingir valores recordes, atraindo colecionadores globais.

Em um evento que promete agitar o mundo da arte, a Sotheby’s anunciou um leilão extraordinário em Nova York, onde duas pinturas de **Vincent van Gogh** e **Paul Cézanne**, raramente vistas pelo público, serão as estrelas principais. Ambas as obras pertencem à mesma família há mais de cinco décadas e têm potencial para quebrar recordes históricos no mercado de arte.

A expectativa é que a pintura de Van Gogh alcance até **US$ 180 milhões** (aproximadamente R$ 954 milhões), enquanto a obra de Cézanne pode chegar a **US$ 120 milhões** (cerca de R$ 636 milhões). Se concretizados, esses valores estabeleceriam novos patamares para ambos os artistas em leilões, consolidando a venda como um marco no setor.

A coleção, apelidada de “El Dorado” pela Sotheby’s, inclui um total de doze obras-primas, com trabalhos de outros mestres como Monet e Renoir. A casa de leilões estima arrecadar mais de **US$ 450 milhões** (R$ 2,3 bilhões) em uma única noite, segundo informações divulgadas pela própria Sotheby’s.

A Lenda da Coleção Blaquier-Arrieta Revelada

A coleção em questão pertenceu ao falecido empresário argentino Carlos Pedro Blaquier e à sua esposa, a patrona das artes Nelly Arrieta de Blaquier. Segundo Helena Newman, presidente da Sotheby’s Europa, trata-se de “uma das maiores coleções remanescentes de arte impressionista e pós-impressionista em mãos privadas”, comparando-a a um “mini Muséee d’Orsay”.

Por décadas, a coleção manteve um status “lendário, quase mítico”, como descreveu Newman. Philip Hook, ex-diretor sênior da Sotheby’s, complementou que o mistério em torno do acervo era uma “constante” em sua carreira, pois a família Blaquier-Arrieta nunca emprestou as obras a museus e vivia na Argentina, tornando o acesso extremamente restrito.

A venda ocorre após o falecimento de Nelly Arrieta de Blaquier em 2020 e de Carlos Blaquier em 2023, com os lotes sendo comercializados pelos seus filhos. Carlos Blaquier, que foi presidente de uma usina açucareira, enfrentou investigações por crimes contra a humanidade durante a ditadura militar argentina, acusações que ele negava. Um porta-voz da Sotheby’s afirmou que ele nunca foi condenado e sempre sustentou sua inocência.

Obras-primas em Destaque e Potencial de Recordes

A pintura de Van Gogh, intitulada **”Chataignier en fleurs roses et blanches”**, foi produzida nos últimos dois meses de vida do artista. A obra, que não foi exibida em Londres, estava a caminho de Hong Kong para apresentação antes do leilão. A Sotheby’s destaca o “vigor” e o “otimismo” presentes em trabalhos desse período final do artista, com uma “paleta incrível, exuberante”, segundo Newman.

Já a obra de Cézanne, **”Arlequin”**, é uma pintura vibrante que faz parte de um conjunto de quatro pinturas de arlequins, sendo a única disponível no mercado, já que as outras pertencem a museus. A obra passou por negociantes de arte renomados e foi exibida em importantes mostras em museus como o MoMA em Nova York e a Tate em Londres, antes de ser adquirida pela família Blaquier em 1975.

Um Mercado de Arte em Transformação

A venda da coleção Blaquier-Arrieta acontece em um momento crucial para o mercado de arte, onde grandes coleções particulares têm sustentado os resultados do setor. Ela sucede vendas de coleções de figuras como Paul G. Allen, cujo leilão em 2022 viu obras de Van Gogh e Cézanne quebrarem recordes na mesma noite, arrecadando US$ 117 milhões e US$ 137,7 milhões, respectivamente.

Helena Newman reconhece uma “mudança geracional” em curso, com coleções formadas entre as décadas de 1960 e 1980 chegando ao mercado. Para os poucos colecionadores capazes de adquirir um acervo de nível museológico, esta representa uma “oportunidade rara” de adquirir peças de grande valor histórico e artístico.

A Sotheby’s espera que este leilão atraia “colecionadores, tanto os já estabelecidos quanto os novos”, em uma disputa que promete ser “muito interessante para todos nós acompanhar”, concluiu Newman. O evento reforça a importância das coleções privadas como um “porto seguro” para o mercado de arte, especialmente em tempos de incerteza econômica.