Venezuela enfrenta colapso energético: Amuay, a maior refinaria do país, é paralisada após falha de energia, agravando a crise pós-terremotos.
A maior refinaria da Venezuela, a Amuay, com capacidade para processar 645 mil barris por dia, teve suas operações paralisadas neste domingo (28) devido a uma falha no fornecimento de energia. Esta é a segunda refinaria importante do país a sofrer interrupções no fornecimento elétrico desde os devastadores terremotos que abalaram a nação.
A crise energética na Venezuela se intensificou após os abalos sísmicos, afetando não apenas a população, mas também instalações industriais cruciais. A instabilidade no fornecimento de eletricidade tem sido um problema recorrente para plantas industriais, refinarias e empresas em todo o país, que já lidava com dificuldades prévias.
A Amuay, fundamental para a produção de combustíveis destinados ao mercado interno, processava cerca de 137 mil barris de petróleo bruto diariamente antes dos tremores. A paralisação de suas atividades levanta preocupações sobre o abastecimento de combustível no país, especialmente com o retorno das atividades após o período de luto e reconstrução. Conforme informações de trabalhadores da unidade, a falha de energia foi o estopim para a paralisação.
Escassez de Água e Energia Afetam Operações Petroquímicas
Além da falta de energia elétrica, a escassez de água em algumas usinas de energia e complexos industriais no estado de Falcão, região oeste da Venezuela, também tem impactado as operações. A refinaria Amuay, assim como outras instalações na área, sofre com a falta de recursos hídricos essenciais para o funcionamento de suas plantas, segundo relatos de funcionários.
A situação se repete em outras unidades do setor. A refinaria El Palito, com capacidade menor de 146 mil barris por dia, e o Complexo Petroquímico de Morón, na região central, enfrentam dificuldades para retomar suas operações em plena capacidade. A instabilidade no fornecimento de energia elétrica é o principal entrave, comprometendo a produção de derivados de petróleo e outros produtos petroquímicos.
Impacto na Produção de Combustíveis e Receita Nacional
O Ministério do Petróleo da Venezuela informou que os terremotos não afetaram diretamente os níveis de produção de petróleo bruto nem as exportações do país, que representam a maior parte de sua receita. No entanto, a capacidade de produção interna de combustíveis e produtos petroquímicos pode se tornar insuficiente para atender à demanda.
A preocupação reside na possibilidade de que, com o retorno das atividades cotidianas após os terremotos, a oferta de combustíveis e derivados não acompanhe a demanda. Isso pode ocorrer caso as refinarias e instalações relacionadas não consigam manter suas operações estáveis, agravando a crise energética e econômica já existente no país.
Terremotos Deixam Mais de 1.400 Mortos e Causam Destruição Generalizada
Os fortes terremotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, que atingiram a Venezuela resultaram em um saldo trágico de pelo menos 1.450 mortos, 3.150 feridos e 12.721 desalojados, segundo dados divulgados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. A tragédia se agravou com cerca de 430 réplicas registradas desde quarta-feira, concentrando a maior parte da destruição na região de La Guaira.
Em meio ao caos, equipes internacionais de resgate, compostas por mais de 1.600 socorristas de diversas nações, incluindo Brasil, Colômbia, Estados Unidos e Espanha, trabalham incansavelmente nas operações de busca e salvamento na esperança de encontrar sobreviventes.