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Lula ignora alerta sobre El Niño e adia dragagem emergencial no Tapajós, ameaçando grãos e gerando temor de prejuízo bilionário

Decisão de Lula sobre o rio Tapajós gera incertezas logísticas e ambientais em meio a previsões de El Niño

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou uma decisão controversa ao desautorizar a dragagem emergencial do rio Tapajós, no Pará. A medida, que visava garantir a navegabilidade do curso d’água diante da ameaça do fenômeno climático El Niño, foi barrada pelo presidente em uma reunião com ministros e representantes de povos indígenas.

Apesar da pressão de setores do governo e da iniciativa privada, que alertam para o risco de comprometimento de um dos mais importantes corredores de exportação de grãos do Brasil, Lula optou por não acatar as recomendações de iniciar imediatamente a retirada de sedimentos. A decisão contrariou inclusive auxiliares diretos e acendeu um alerta sobre os possíveis impactos logísticos e econômicos.

Lideranças indígenas da região já haviam ameaçado intensificar protestos contra as obras, o que pode ter influenciado a decisão presidencial, especialmente em um ano eleitoral. A situação expõe a complexidade de conciliar interesses ambientais, logísticos e sociais na Amazônia. Conforme informações divulgadas pela CNN, o governo participou em peso da reunião, com a presença de diversos ministérios e órgãos relevantes para a infraestrutura e o meio ambiente.

Dragagem emergencial barrada: o que estava em jogo

A proposta de dragagem emergencial no rio Tapajós visava a retirada de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos em sete pontos críticos, entre Miritituba e Santarém. O projeto, redimensionado para minimizar impactos ambientais e controvérsias, previa uma intervenção em menos de 2% da extensão navegável do rio e com duração estimada de 90 a 100 dias. A intenção era evitar o acúmulo de bancos de areia que pudessem comprometer a navegação.

O plano também contemplava a alteração do cronograma para respeitar o período de reprodução de quelônios e garantir que nenhuma comunidade indígena fosse afetada em um raio inferior a dez quilômetros. Sob a nova lei de licenciamento ambiental, esse tipo de dragagem de manutenção, que não altera a profundidade ou largura existente, não precisaria de licença do Ibama ou da Semas.

El Niño: a ameaça climática à navegabilidade

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, é apontado por especialistas como um fator de risco iminente para a navegabilidade do rio Tapajós. A expectativa é de que o fenômeno deste ano seja mais severo que em ocasiões anteriores, resultando em **secas mais intensas na região Norte do Brasil** e, consequentemente, na queda do volume de água dos rios amazônicos.

Sem a dragagem de manutenção, o risco de paralisação, parcial ou total, do transporte de cargas pelo Tapajós é considerado muito alto. Isso pode afetar diretamente o escoamento de **3,5 a 5,5 milhões de toneladas de grãos**, principalmente soja e milho, que utilizam o rio como rota logística. A situação pode se agravar em 2027, dependendo da duração do El Niño.

Impactos econômicos e ambientais da restrição logística

A menor navegabilidade do rio Tapajós acarreta **custos adicionais significativos para os produtores rurais**, especialmente no norte de Mato Grosso. Eles podem ter que arcar com custos mais elevados para armazenar a colheita ou recorrer a rotas alternativas mais caras, como os portos de Santos (SP) ou Itaqui (MA). Estima-se um **impacto adicional de R$ 500 milhões** nos custos logísticos.

Além disso, a restrição no fluxo de mercadorias afeta o plano de negócios de terminais portuários instalados no Arco Norte. Outra preocupação é o aumento das emissões de gases do efeito estufa. Um comboio de 25 barcaças transporta o equivalente a 1.700 caminhões ou seis composições ferroviárias. Com a menor navegabilidade, as barcaças podem precisar transportar menos carga para evitar encalhar, elevando a necessidade de mais viagens e, consequentemente, as emissões.

Estimativas apresentadas em reuniões preparatórias indicam a potencial emissão de **até 55 mil toneladas a mais de CO2** caso o uso do Tapajós seja restrito. A decisão do presidente Lula, portanto, coloca em xeque a eficiência logística do país e levanta preocupações ambientais em um cenário climático desafiador.

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