Europa em Alerta: A Nova Ameaça Russa é a Guerra Híbrida, Não um Avanço Territorial
A principal preocupação dos países europeus diante do conflito com a Rússia não reside em um possível avanço territorial russo. A apreensão maior, segundo especialistas, é com o que se denomina guerra irregular ou guerra híbrida. Essa avaliação foi compartilhada por Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais da FESPSP, em entrevista recente.
Coelho aponta que a Rússia estaria empregando uma estratégia multifacetada. Isso incluiria o uso de submarinos para atividades de espionagem e mapeamento de cabos submarinos estratégicos na Europa. Essa ação seria combinada com táticas de sabotagem, disseminação de desinformação e ataques direcionados a infraestruturas críticas e cibernéticas.
“A grande preocupação são o que a gente pode chamar de guerra irregular ou guerra híbrida por parte da Rússia, que é combinar sabotagem, espionagem, contra-informação e, por sua vez, atacar infraestruturas críticas e cibernéticas na própria Europa”, explicou o especialista. A informação foi divulgada pelo Hora H nesta sexta-feira (5).
Ucrânia Resiste com Tecnologia e Interdição Logística
No cenário atual do conflito na Ucrânia, a palavra que melhor define a postura ucraniana é interdição ou contenção. Alexandre Coelho destaca que a Ucrânia tem conseguido **enfraquecer o ritmo do avanço russo** ao focar em ataques à logística inimiga. Vias férreas, abastecimento de combustível e o deslocamento de tropas têm sido alvos, dificultando a chegada de recursos à linha de frente.
Além disso, a Ucrânia tem utilizado drones de médio e longo alcance para atingir refinarias em território russo. Um exemplo recente ocorreu em São Petersburgo, em resposta a declarações do presidente Vladimir Putin sobre negociações com o presidente Volodymyr Zelensky. Essa estratégia demonstra a capacidade ucraniana de **superar a inferioridade militar convencional através da tecnologia**.
O professor ressaltou que a Ucrânia está conseguindo mitigar sua desvantagem militar convencional em relação à Rússia por meio da inovação tecnológica. A fabricação de drones e o uso de robôs são ferramentas cruciais nesse esforço para conter o avanço russo, conforme explicou Coelho.
Ajuda Americana e o Impacto em Donald Trump
A recente aprovação de um pacote bilionário de ajuda à Ucrânia pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, juntamente com novas sanções à Rússia, foi vista como um **momento positivo para a Ucrânia**. Segundo o professor, o país necessita urgentemente de mísseis para expandir seu poder de ataque aéreo.
Coelho avalia que este cenário, somado às tensões no Oriente Médio, contribui para o **enfraquecimento político de Donald Trump**. O ex-presidente enfrenta dificuldades em duas frentes simultaneamente, tanto na questão da guerra da Ucrânia quanto em relação ao Irã, onde o Congresso americano limita sua margem de ação.
“Nós só estamos vendo cada vez mais uma corrosão do poder político de Donald Trump”, afirmou Coelho. Ele também destacou a complexidade da situação no Oriente Médio, onde o Irã utiliza o Hezbollah como ferramenta de negociação, exigindo que Trump lide com Benjamin Netanyahu e o próprio grupo, uma situação considerada “inédita do ponto de vista diplomático norte-americano”.
Resistência Ucraniana Impede Vitória Russa Clara
Embora Alexandre Coelho tenha sido cauteloso ao afirmar que a Ucrânia não está vencendo a guerra, ele enfatizou a **importante capacidade de resistência do país**. A Ucrânia tem conseguido impedir que a Rússia declare qualquer vitória significativa ou demonstre que o presidente Putin está em uma posição vantajosa no conflito.
Essa resistência tecnológica e logística, combinada com o apoio internacional, cria um cenário de **impasse estratégico**. A **guerra irregular** se torna, assim, a principal ferramenta russa para tentar desestabilizar a Europa, enquanto a Ucrânia busca consolidar sua defesa e enfraquecer o avanço inimigo.