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Acordo em Ormuz alivia mercados, mas analistas alertam para ‘precificar a perfeição’ e riscos latentes no petróleo e ações

Mercados reagem positivamente ao acordo em Ormuz, mas cautela prevalece entre especialistas sobre a sustentabilidade do otimismo

O recente acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz foi recebido com um alívio imediato nos mercados financeiros globais. A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo por essa rota estratégica impulsionou a queda nos preços da commodity e um movimento de alta nas ações americanas, aproximando-as de máximas históricas.

No entanto, a euforia pode não durar. Operadores e analistas alertam que o mercado pode estar exagerando nas reações, uma prática que David Oxley, economista-chefe de commodities e clima da Capital Economics, descreve como ‘precificar a perfeição’. Embora a notícia seja um alívio comparada a um cenário de fechamento do estreito, a realidade pode ser menos otimista.

A preocupação reside no fato de que o entusiasmo atual pode estar desconsiderando riscos significativos. A recuperação total do tráfego e da produção na região do Golfo Pérsico enfrenta obstáculos logísticos, custos de seguro elevados e a persistência de dúvidas sobre a segurança da via. Conforme divulgado por fontes de mercado, o acordo prevê um cessar-fogo de 60 dias, mas a incerteza sobre o futuro, incluindo possíveis taxas de tráfego exigidas pelo Irã, permanece.

Queda nos preços do petróleo e gasolina: um reflexo do otimismo cauteloso

Os futuros do petróleo Brent e WTI registraram quedas expressivas, com o WTI fechando em US$ 76,60 o barril na quinta-feira, uma desvalorização de quase 10% na semana. Paralelamente, o preço da gasolina nos Estados Unidos caiu abaixo de US$ 4 o galão pela primeira vez desde março. Essa movimentação é impulsionada pela expectativa de um aumento no fornecimento de petróleo devido à abertura do Estreito de Ormuz.

Contudo, analistas como Adam Turnquist, estrategista-chefe técnico da LPL Financial, ressaltam que o mercado pode estar agindo mais por entusiasmo do que por uma análise completa da situação. O tráfego pelo estreito, embora reaberto, ainda está longe dos níveis pré-conflito, e questões como o seguro de navios e a possível presença de minas continuam sendo fatores de preocupação.

Ações americanas em alta: IA impulsiona, mas Fed e geopolítica trazem incertezas

O mercado de ações dos EUA, especialmente o S&P 500, tem apresentado forte recuperação, com alta de 9% desde o início do conflito no Oriente Médio. O otimismo em torno do desenvolvimento da inteligência artificial tem sido um dos principais motores desse rali. A queda nos preços do petróleo também contribui positivamente para o desempenho das ações.

Apesar da tendência de alta, houve um recuo na quarta-feira após o Federal Reserve manter as taxas de juros inalteradas, com operadores precificando a possibilidade de um aumento em setembro. A persistência do conflito no Oriente Médio, mesmo com o acordo em Ormuz, continua sendo um risco latente para a estabilidade do mercado acionário, que parece ignorar essas preocupações geopolíticas em sua busca por novas máximas.

Perspectivas futuras: o que os analistas esperam para o petróleo e o estreito

Com a queda nos preços do petróleo em relação aos picos de abril, bancos como o Citi revisaram suas projeções. O Citi ajustou sua previsão para o preço do petróleo para US$ 75 o barril no terceiro trimestre, uma redução significativa em relação aos US$ 110 anteriormente estimados. Essa revisão está diretamente ligada à expectativa de um aumento no fluxo pelo Estreito de Ormuz.

Para que essa moderação nos preços do petróleo se sustente, é crucial observar um aumento substancial no tráfego pelo estreito nas próximas semanas e meses. A capacidade dos produtores da região do Golfo de reestruturar e recuperar sua produção, mesmo após os danos da guerra, ainda é um ponto de interrogação. Turnquist alerta que o mercado, especialmente o de petróleo, está partindo do princípio de que ‘muitas coisas vão dar certo’, o que pode representar um risco considerável se o cenário não se desenrolar de forma tão otimista quanto precificado.

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