UE pede a Israel que interrompa plano de assentamentos na Cisjordânia, alertando para risco à solução de dois Estados
A União Europeia (UE) manifestou forte oposição à recente decisão do governo israelense de avançar com um plano de assentamentos na Cisjordânia ocupada, especificamente o projeto habitacional conhecido como “E1”. A iniciativa, que envolve a abertura de licitações para a construção de mais de 1.200 unidades, foi classificada pela UE como uma medida que “prejudica fundamentalmente” a perspectiva da solução de dois Estados.
Em declarações contundentes, a Alta Representante da UE para Assuntos Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, instaram Israel a cancelar a licitação e interromper o projeto imediatamente. A UE tem se posicionado contra essa medida há muito tempo, considerando-a inaceitável.
Conforme divulgado pela União Europeia, o plano “E1” visa criar um bloco contínuo de assentamentos judaicos entre Jerusalém Oriental e a Cisjordânia. Essa construção, segundo o bloco, resultaria na divisão territorial da Cisjordânia em setores norte e sul, tornando impossível a formação de um Estado palestino contíguo e viável.
Projeto “E1”: uma ameaça à continuidade territorial palestina
O Ministério da Habitação de Israel publicou o edital para o projeto “E1” próximo a Jerusalém, com o objetivo de conectar assentamentos existentes e expandir a presença israelense. A organização israelense “Peace Now”, que monitora assentamentos, criticou a ação como uma “manobra de última hora”, parte de uma “política de terra arrasada” que visa “garantir longos anos de conflito”.
A área “E1” tem sido alvo de controvérsia por anos, com Israel adiando planos de construção devido à pressão internacional. No entanto, o governo atual tem acelerado a aprovação de assentamentos, mesmo diante de sanções de países ocidentais contra indivíduos ligados ao movimento de colonização.
Reações internacionais e o risco de “fim da solução de dois Estados”
Países como Canadá, Austrália e Alemanha já haviam alertado empresas sobre as consequências legais e de reputação de participar na construção de assentamentos. Em uma declaração conjunta, líderes da França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Noruega e Holanda reiteraram esse alerta, expressando preocupação com a decisão israelense em um momento de “grave instabilidade na Cisjordânia”.
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, declarou anteriormente que “o Estado palestino está sendo apagado da mesa de negociações, não com slogans, mas com ações”, em referência ao plano “E1”. O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, classificou a decisão como um “ato inaceitável e destrutivo”, ameaçando com sanções caso a solução de dois Estados seja destruída.
Israel rebate críticas e comunidade internacional se mobiliza
Em resposta às críticas, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, rebateu, considerando “absurdo” o Reino Unido dar “lições ao povo judeu sobre onde eles podem viver em sua pequena pátria histórica”. A maior parte da comunidade internacional e a ONU consideram todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ilegais sob o direito internacional.
O embaixador palestino nas Nações Unidas, Riyad Mansour, descreveu a decisão de Israel como “extremamente perigosa, irresponsável e ameaçadora”, exigindo sua interrupção imediata. O governo egípcio também condenou as licitações, rejeitando “tentativas de consolidar uma política de fato consumado” que mina as chances da solução de dois Estados.