Justiça Eleitoral em Foco: Pesquisa AtlasIntel Suspensas e Metodologia em Debate Eleitoral
A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de suspender uma pesquisa da AtlasIntel, publicada em 19 de maio, transformou a metodologia dos levantamentos eleitorais em um novo campo de batalha na disputa presidencial. O pedido partiu do Partido Liberal (PL) e questiona a forma como o instituto conduziu o estudo, levantando discussões sobre a atuação da Justiça Eleitoral e os precedentes que podem ser estabelecidos.
Diferente de outras contestações, que geralmente se baseiam em falhas formais de registro, a suspensão da pesquisa da AtlasIntel foi motivada por suspeitas sobre a metodologia empregada e a possibilidade de indução dos entrevistados. O ministro Nunes Marques apontou que a estrutura e a aplicação do questionário poderiam ter influenciado a percepção dos eleitores, gerando respostas mais negativas ao senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A pesquisa em questão foi a primeira divulgada após a revelação de conversas entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O levantamento indicou um avanço de Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto para o primeiro turno, uma queda para Flávio Bolsonaro e uma vantagem do petista em um eventual segundo turno. Conforme informações divulgadas, aliados de Flávio Bolsonaro argumentam que a pesquisa continha perguntas consideradas problemáticas e que um áudio envolvendo o senador e Vorcaro teria sido reproduzido durante a entrevista, influenciando a opinião dos participantes.
AtlasIntel Nega Indução e Defende Metodologia
Em sua defesa, a AtlasIntel negou qualquer tipo de indução aos entrevistados. O instituto afirmou que o áudio em questão não fez parte do questionário principal e foi apresentado apenas ao final da entrevista, para participantes que optaram por registrar suas reações ao conteúdo. A empresa também destacou que os entrevistados não tinham a possibilidade de retornar a perguntas anteriores ou alterar suas respostas já registradas, garantindo a integridade do processo.
Ministro Cita Declarações do CEO da AtlasIntel
Na decisão que suspendeu a pesquisa, o ministro Kassio Nunes Marques ressaltou que pesquisas anteriores da AtlasIntel não seguiram o mesmo formato. Ele citou declarações do CEO do instituto, Andrei Roman, que, segundo o ministro, teria reconhecido o “viés político do conteúdo submetido aos entrevistados” e emitido um juízo de valor sobre o potencial desgaste que o áudio poderia causar a Flávio Bolsonaro. Essas falas de Roman ocorreram após a realização e a divulgação pública da pesquisa.
Controvérsia em Meio a Reviravolta na Distribuição de Ações no TSE
O caso ganhou ainda mais repercussão devido a uma recente alteração na forma como as ações de propaganda eleitoral relacionadas à disputa presidencial são distribuídas no TSE. Pouco tempo após assumir a presidência do tribunal e poucos dias após a representação do PL, Nunes Marques mudou as regras, incluindo a ele e ao ministro André Mendonça, ambos indicados ao STF por Jair Bolsonaro, entre os possíveis relatores de processos. Após um novo sorteio, a ação contra a AtlasIntel recaiu sob a relatoria do próprio Nunes Marques, que concedeu a liminar.
Impacto na Pré-Campanha de Flávio Bolsonaro
A controvérsia em torno da pesquisa da AtlasIntel surge em um momento delicado para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Desde a divulgação do levantamento, outras pesquisas têm apontado uma perda de apoio ao senador. Nos bastidores, Flávio Bolsonaro tem buscado se distanciar de Daniel Vorcaro e reposicionar sua campanha, inclusive com agendas internacionais. A decisão do TSE, no entanto, pode reacender a ligação entre o senador e o ex-banqueiro no debate público, um tema que a campanha de Flávio tentava deixar para trás, representando, segundo parlamentares do PT, um possível “tiro no pé” para os bolsonaristas.