Brazilian Rare Earths aposta em refino de terras raras no Brasil com investimento bilionário, visando autonomia e agregação de valor.
A Brazilian Rare Earths (BRE), por meio da Borborema Mineração, almeja um salto significativo na cadeia produtiva de terras raras no Brasil. A companhia planeja ir além da extração e beneficiamento inicial, desenvolvendo no país uma estrutura robusta para a separação de óxidos individuais, um processo complexo e de altíssimo valor agregado.
Esta iniciativa estratégica visa posicionar o Brasil como um player relevante no refino global desses minerais, reduzindo a dependência da China, que atualmente domina amplamente o mercado. A ambição da BRE foi detalhada em entrevista ao programa Mapa da Mina, da CNN, pelo presidente da empresa no Brasil, Renato Gonzaga.
Segundo Gonzaga, o projeto da BRE na Bahia foi concebido com a visão de avançar na cadeia de valor, indo além da produção de carbonato misto de terras raras. A empresa busca estabelecer uma capacidade de refino nacional, o que traria inúmeros benefícios econômicos e tecnológicos para o país, conforme divulgado pela companhia.
Etapa estratégica de separação de óxidos individuais ganha foco no Brasil
A separação de óxidos individuais é considerada a fase de maior valor agregado na cadeia das terras raras. É nesse estágio que elementos cruciais como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são isolados. Estes elementos são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes, essenciais para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos de ponta e aplicações na área de defesa.
Atualmente, o processamento de terras raras é concentrado na China, conferindo ao país um poder considerável sobre os preços, a oferta global e o acesso a esses insumos estratégicos. Por isso, projetos que propõem a expansão do refino fora da esfera chinesa têm atraído atenção de governos, bancos de desenvolvimento e grandes compradores industriais.
BNDES em conversas para possível financiamento e participação acionária
A Brazilian Rare Earths confirmou estar em negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para discutir opções de financiamento para seu projeto. Renato Gonzaga expressou que seria uma “grande honra” ter o BNDES como acionista, destacando a importância do apoio público para iniciativas de infraestrutura crítica.
A potencial participação do banco público em projetos de terras raras está alinhada com o esforço do governo brasileiro em estimular a agregação de valor em minerais considerados críticos para o desenvolvimento tecnológico e a transição energética. Projetos dessa natureza exigem alto investimento de capital e têm um longo período de maturação, demandando garantias e contratos de compra futura para mitigar riscos para os financiadores.
Projeto Monte Alto na Bahia: um dos promissores depósitos de terras raras do Brasil
O principal ativo da BRE no país é o Projeto Monte Alto, localizado na Bahia. Renato Gonzaga apresentou o depósito como um dos mais promissores do Brasil em terras raras, com um teor médio estimado de cerca de 15% de óxidos de terras raras. Este projeto se diferencia de muitas outras iniciativas recentes no Brasil, que frequentemente estão associadas a depósitos de argilas iônicas.
Monte Alto é classificado como um projeto de rocha dura, caracterizado por uma mineralização de alto teor. Gonzaga refutou a ideia de que a extração em rocha dura representaria um obstáculo intransponível, argumentando que etapas como britagem, moagem e beneficiamento são rotineiras na mineração brasileira e não constituem uma barreira tecnológica nova para o país. A empresa acredita que o alto teor do depósito pode compensar a maior complexidade operacional.
Planta-piloto em Camaçari: um passo crucial para a cadeia de valor agregado
A estratégia da BRE é utilizar o Monte Alto como base para construir uma cadeia produtiva completa no Brasil, desde a mineração até as etapas industriais de refino. A empresa já obteve licença de lavra experimental da Agência Nacional de Mineração (ANM) para extrair até 2 mil toneladas anuais no projeto.
Essa autorização permitirá a produção de amostras em maior escala, a realização de testes metalúrgicos detalhados, o envio de material para potenciais clientes e o abastecimento da planta-piloto da empresa, localizada no Polo Petroquímico de Camaçari. A planta-piloto é vista como uma etapa central para validar a rota de processamento e demonstrar a viabilidade de uma cadeia de terras raras de maior valor agregado em território nacional.
O objetivo inicial é avançar com etapas intermediárias, como a produção de concentrado ou carbonato misto, para, em seguida, avaliar a viabilidade da produção de óxidos separados diretamente no Brasil, fortalecendo a soberania nacional em minerais estratégicos.