XIV SPMUN encerra edição em São Paulo, reunindo jovens para debater crises globais e simular diplomacia internacional.
A 14ª edição do São Paulo Model United Nations (SPMUN) concluiu suas atividades neste sábado (4), em São Paulo. O evento, considerado um dos mais tradicionais e prestigiados da América do Sul em simulações da ONU, reuniu estudantes de universidades e escolas de diversas partes do Brasil e de outros países.
Durante uma semana intensa, os participantes assumiram o papel de representantes de nações, engajando-se em negociações complexas, discutindo sanções e analisando os principais desafios da política internacional. A iniciativa busca reproduzir o funcionamento de organismos ligados à Organização das Nações Unidas (ONU).
Realizado entre os dias 29 de junho e 4 de julho, o SPMUN, que é a maior simulação da ONU no estado de São Paulo, contou com 20 comitês que operaram em português, inglês e espanhol. A programação foi focada em diplomacia, debate acadêmico e na formação de futuras lideranças, conforme divulgado pelas informações do evento.
Um palco para o debate de crises globais e formação de líderes
A conferência deste ano propôs discussões inspiradas em cenários internacionais atuais, como a guerra na Ucrânia, instabilidades no Oriente Médio e impasses entre grandes potências. Os estudantes tiveram a oportunidade de defender os interesses de países designados, negociar com outros representantes e buscar soluções conjuntas para questões globais.
Ingrid Póvoas Farias Morato, estudante de jornalismo de 19 anos e integrante da mesa diretora da imprensa, destacou a experiência como recompensadora. “Depois de participar de uma simulação, ainda mais de uma tão especial como essa, tenho certeza de que vou continuar atuando em diversas outras e, com certeza, novamente na SPMUN 2027”, afirmou.
Rafael Bomfim, 23 anos, estudante de economia que também integrou a mesa diretora da imprensa, descreveu a semana como intensa, mas muito valiosa. Ele ressaltou a importância de ver outros delegados vivenciarem experiências semelhantes às suas, o que tornou sua participação ainda mais especial e contribuiu para seu desenvolvimento pessoal e profissional.
Diálogo como antídoto contra a violência e a polarização
Lorenzo Krause, um dos delegados, decidiu trocar o início de suas férias acadêmicas pela participação na conferência. Ele expressou sua preocupação com o aumento da violência e a diminuição do espaço para o diálogo no mundo atual. “A violência está sendo usada como arma principal. A simulação é um sinal de que o debate não está morrendo. É importante formar pessoas que saibam argumentar, negociar e ouvir”, disse.
Larissa Barros, 17 anos, aluna do 3º ano do Ensino Médio, relatou que o evento despertou seu interesse pela política. Ela compreendeu como decisões tomadas em outras partes do mundo podem impactar sua própria realidade e como as atividades permitem pensar em alternativas sob novas perspectivas.
Ampliação da compreensão sobre o trabalho da ONU
Rafaella Cerqueira, secretária-geral administrativa, enfatizou que as simulações vão além do que o público geralmente vê na televisão, como a Assembleia Geral. “As simulações ajudam a mostrar que o trabalho da ONU não é só Assembleia Geral e o que se vê na televisão. É uma oportunidade de mostrar mais do trabalho da organização e de replicar os esforços fora dela também”, explicou.
Ela acrescentou que, embora a ONU não possa interferir diretamente na soberania dos países, as conferências são fundamentais para formar uma juventude mais consciente dos desafios internacionais e da importância da diplomacia na busca por soluções coletivas. A organização promove, por meio dessas simulações, uma juventude mais consciente dos desafios e dos caminhos a serem trilhados.
Comitês e órgãos representados no XIV SPMUN
A XIV edição do SPMUN contou com a simulação de diversos comitês e órgãos, incluindo o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a FIFA, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (ICTY), a UNESCO, e a Cúpula Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos – União Europeia (CELAC-UE).
Outros comitês presentes foram o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA), o Comitê de Coordenação de Crises Mágicas (MCCC), o Congresso Nacional do Brasil (CN), Teatro de Operações (TO), Imprensa, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Comitê de Desarmamento e Segurança Internacional (DISEC), Comitê Econômico e Financeiro (ECOFIN), Comitê de Assuntos Sociais, Humanitários e Culturais (SOCHUM), Comitê Político Especial e de Descolonização (SPECPOL), Comitê de Assuntos Jurídicos (LEGAL), Comitê de Assuntos Administrativos e Orçamentários (ORÇAMENTÁRIO), Tribunal Internacional de Direitos Humanos e Tecnologia (TIDHT) e a Comissão de Prevenção do Crime e Justiça Criminal (CCPCJ).