Preço do boi gordo em São Paulo bate novo recorde nominal, impulsionado por fatores complexos no mercado.
O mercado paulista registrou um marco significativo nesta semana, com o preço da arroba do boi gordo atingindo o **maior patamar nominal da história**, alcançando R$ 372,95. Essa alta de 7,8% em relação ao início do mês anterior reflete uma combinação de fatores, incluindo a **redução na oferta de animais** para abate e uma **demanda interna robusta**.
Especialistas apontam que a menor disponibilidade de animais está ligada a incertezas geradas por tarifas impostas pela China e também a uma dinâmica de exportações de gado vivo. Paralelamente, o mercado interno demonstra força, sustentando os preços em níveis elevados, apesar de desafios econômicos.
O cenário atual, conforme análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, evidencia a complexidade do agronegócio, onde questões internacionais e domésticas se entrelaçam para definir o valor de commodities essenciais. Acompanhe os detalhes que explicam essa valorização.
Oferta Restrita de Animais: Impacto das Tarifas e Incertezas
Segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea, a **baixa oferta de animais para abate** é um dos principais motores da alta no preço da arroba do boi gordo. Um dos fatores que contribuem para essa escassez é a **incerteza gerada pelas tarifas impostas pela China** sobre a carne bovina brasileira. Essa situação desestimulou muitos pecuaristas a intensificar o confinamento de gado, especialmente no período entre junho e julho, o que impacta a oferta disponível para abate nos meses subsequentes.
A China, principal importador de carne bovina do Brasil, implementou uma tarifa adicional de 55% sobre as remessas a partir de 1º de outubro, após o país asiático atingir sua cota anual de 1,1 milhão de toneladas. Contudo, os embarques brasileiros para a China já vinham sofrendo uma **queda acentuada nos meses anteriores**, com exportadores buscando evitar a taxação. Esse cenário de apreensão em relação às compras chinesas resultou em uma oferta mais ajustada no mercado.
Adicionalmente, as **fortes exportações de gado vivo pelo Brasil em 2026** também contribuem para a redução da oferta de animais destinada à indústria frigorífica nacional. Embora se trate de animais jovens, essas exportações ajudam a dinamizar o mercado de reposição, influenciando a precificação do bezerro e do boi magro, o que, por sua vez, pressiona o preço da arroba para cima.
Demanda Interna Aquecida e Influências Sazonais
Do lado da demanda, o mercado interno brasileiro tem mostrado uma **força surpreendente**, com preços próximos aos maiores patamares já registrados. Carvalho destaca que, apesar dos desafios econômicos enfrentados pelo país, como a alta inadimplência, eventos como a eleição e a Copa do Mundo em 2026 impulsionaram o consumo. Esses acontecimentos tendem a **aumentar o fluxo de dinheiro na economia**, favorecendo a demanda por proteína animal.
A mudança no padrão alimentar dos brasileiros, com uma **busca crescente por proteínas de origem animal**, também é um fator relevante. Mesmo com o cenário externo desafiador, especialmente em relação à China, o Brasil tem mantido **bons volumes de exportação para outros destinos**. A União Europeia, por exemplo, paga valores expressivos, embora concentre suas compras em cortes específicos.
Entre os países que têm ampliado suas importações de carne bovina brasileira, os **Estados Unidos** se destacam. Essa diversificação de mercados ajuda a sustentar a demanda externa, mesmo com as restrições impostas por outros compradores importantes.
Perspectivas para as Exportações à China
A China, como maior importador de carne bovina brasileira, estabeleceu salvaguardas no final do ano passado, visando proteger sua indústria local. Isso resultou na imposição de tarifas adicionais para compras fora da cota em 2026, 2027 e 2028. Para 2026, a cota com tarifa reduzida de 12% abrangerá 1,128 milhão de toneladas.
A expectativa, segundo a associação da indústria Abiec, é que os embarques para o preenchimento desses volumes comecem já em novembro. O pesquisador do Cepea observou que, no final de setembro, já houve movimentações de negócios para novas vendas de carne bovina à China, e essa tendência deve se intensificar após o feriado chinês desta semana, sinalizando uma **potencial retomada nas negociações**.
