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Por que o Banco Central deve parar o corte de juros: Gasto fiscal e inflação sobem, diz especialista

Banco Central sob pressão: Especialista defende pausa nos cortes de juros frente a riscos fiscais e inflacionários

O atual ciclo de afrouxamento monetário promovido pelo Banco Central do Brasil pode estar perto do fim. A principal dúvida no mercado financeiro é quanto tempo a taxa de juros precisará permanecer em patamares elevados para conter a inflação e trazê-la de volta à meta estabelecida.

Contudo, a economista Solange Srour, colunista do CNN Money e diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, acredita que a autoridade monetária deveria pausar o ciclo de cortes. Ela argumenta que os fundamentos econômicos atuais não oferecem segurança para continuar reduzindo a Selic.

Segundo Srour, as expectativas de inflação continuam em trajetória ascendente, especialmente nos prazos mais longos. A economia brasileira demonstra resiliência, a política fiscal acumula novos estímulos e os preços das commodities permanecem em níveis elevados, fatores que pressionam a inflação.

Apesar de sua análise, a especialista observa que a comunicação oficial do Banco Central não indica essa interrupção iminente. “É difícil dizer o motivo para continuar cortando, na verdade”, resumiu Srour, indicando uma divergência entre sua visão e a sinalização da autoridade monetária.

Fundamentos econômicos apontam para a necessidade de pausa nos cortes de juros

Solange Srour destaca que a deterioração do cenário econômico, que justificaria uma pausa no ciclo de cortes de juros, tem origem predominantemente doméstica. Ela aponta que a inflação de serviços, ligada ao mercado de trabalho, está rodando em torno de 7%, sem relação direta com choques externos. Além disso, os núcleos de inflação, que excluem efeitos mais voláteis como os de commodities, permanecem acima do teto da meta.

“A gente tem uma demanda no Brasil bastante estimulada por políticas fiscais e creditícias, e a taxa de juros não está dando conta”, afirmou Srour. Ela acrescentou que a taxa de juros neutra subiu, o que pode significar que a Selic atual não é tão restritiva quanto o Banco Central avaliava.

Estímulos fiscais adicionais intensificam pressão inflacionária

Entre os fatores de risco adicionais para a inflação, Srour menciona a possível mudança na escala de trabalho, com o fim da escala 6×1, que tende a pressionar os salários para cima. Outro ponto levantado é a perspectiva de um novo programa nos moldes do Move Brasil, com previsão de injeção de R$ 30 bilhões para a compra de veículos por motoristas de aplicativo e entregadores.

A analista ressalta que um relatório elaborado por sua equipe lista medidas fiscais, de crédito e de renda já anunciadas que somam R$ 189 bilhões em estímulos à demanda. “O que já está sendo aprovado, o que já está sendo executado é bastante estimulativo”, concluiu Srour.

Srour aponta que os únicos riscos de queda para a inflação viriam do cenário externo, como uma eventual valorização do câmbio associada à diversificação em relação ao dólar, ou uma desaceleração da economia global provocada pela alta de juros internacionais. Mesmo assim, ela reforça que os riscos de alta da inflação são predominantemente domésticos e que o viés inflacionário deve se intensificar nos próximos meses, também em função da incerteza sobre a intensidade do El Niño no final do ano.

Os mercados já precificam a possibilidade de um comunicado mais duro na próxima reunião do Copom, nos dias 16 e 17 de junho, com abertura para uma eventual pausa nos cortes. A analista foi enfática ao afirmar que a deterioração do cenário tem origem predominantemente doméstica, indicando a necessidade de cautela por parte do Banco Central.

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