PF investiga atuação de bicheiro para silenciar família de “Sicário” em troca de dinheiro
A Polícia Federal (PF) aponta que Manoel Mendes Rodrigues, operador do jogo do bicho e ligado à família Vorcaro, teria tentado impedir a colaboração de parentes de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, com as investigações. As ações teriam envolvido promessas de repasses financeiros e transferências patrimoniais.
O objetivo principal, segundo o relatório da PF encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), era evitar que a irmã e a mãe de “Sicário” entregassem à polícia materiais considerados comprometedores para os investigados no caso Banco Master.
A investigação revela que Joana Machado de Moraes Mourão, irmã de “Sicário”, afirmava ter acesso a informações armazenadas no iCloud do irmão, capazes de “derrubar” acordos de colaboração premiada de membros do grupo investigado. Diante disso, o bicheiro teria agido para coibir o repasse desse material às autoridades, conforme aponta a PF.
Pressão financeira e ameaças de Joana Mourão
As conversas analisadas pela PF indicam que Joana Mourão relatava dificuldades financeiras e cobrava respostas de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em uma das mensagens, ela expressava desespero com dívidas e prestações vencendo, reclamando que “HV não se manifesta com nada $”.
Em outra comunicação, datada de abril deste ano, Joana declarou possuir “material para acabar com a família inteira” e ameaçou expor integrantes do grupo investigado. Ela também afirmou ser capaz de comprometer uma eventual delação de familiares de Daniel Vorcaro.
Tentativa de acordo e repasses financeiros
Diante das reclamações e ameaças, Manoel Mendes Rodrigues propôs encontros presenciais com Joana e sua mãe, Denise Maria Machado. Uma reunião foi identificada em 28 de abril, após a qual Joana agradeceu a Manoel e a outro interlocutor, André.
Na mesma noite, Manoel informou a Henrique Vorcaro que estava conversando com a mãe de “Sicário” sobre a transferência de ativos relacionados ao “nosso amigo” para o nome dela, como forma de solucionar a questão. Dias depois, empresários ligados ao grupo começaram a solicitar dados cadastrais dos familiares para elaboração de contratos.
Obstrução de justiça e possível lavagem de dinheiro
Segundo a PF, as tratativas visavam assegurar repasses financeiros e conter a disposição de Joana em colaborar com as autoridades. O relatório destaca que Manoel atuou “de maneira ativa” para viabilizar recursos à mãe e à irmã de “Sicário”, buscando solucionar as dificuldades financeiras e, consequentemente, evitar a colaboração delas com a investigação.
Apesar dos encontros, Joana continuou pressionando os investigados. Em mensagens enviadas em maio, ela ameaçou denunciar Henrique Vorcaro e expor informações à imprensa. Os investigadores consideram que os pagamentos e negociações podem configurar tentativa de obstrução das apurações e possível lavagem de dinheiro, com suspeita de que recursos obtidos em atividades criminosas atribuídas ao grupo tenham sido direcionados à família de “Sicário”.