Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, busca acalmar a população após interrupção da vacina contra dengue do Instituto Butantan, enfatizando a proteção já conferida aos vacinados.
Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (11), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, declarou o desejo de “tranquilizar” aqueles que já receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão de suspender temporariamente o imunizante foi tomada na última segunda-feira (8), após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves.
Padilha ressaltou que as pessoas que receberam a dose da vacina estão protegidas contra os quatro tipos da dengue. Ele mencionou que mais de meio milhão de pessoas já foram imunizadas, garantindo proteção contra uma doença que, mesmo com a redução significativa de casos e óbitos neste ano, ainda causou 178 mortes no Brasil.
A suspensão, segundo o ministro, visa reavaliar a estratégia vacinal e garantir a segurança. As investigações sobre os casos graves e óbitos suspeitos estão em andamento, mas ainda não há comprovação de relação direta com a vacina. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Saúde, as pessoas que tomaram a vacina permanecem protegidas contra a doença e não precisam se preocupar.
Imunizante do Butantan é diferente da vacina já disponível no SUS
É importante destacar que a suspensão temporária não afeta a vacina contra a dengue que já faz parte do calendário regular do Sistema Único de Saúde (SUS). Este imunizante é oferecido a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e continua sendo aplicado normalmente, sem qualquer alteração.
A medida de interrupção envolve exclusivamente o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, que estava sendo aplicado em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto em municípios selecionados. A vacina do SUS, conforme o diretor do PNI, Eder Gatti, não está inclusa nesta análise.
Investigação de casos graves e óbitos em andamento
Entre os 42 episódios de reações adversas registrados, o Ministério da Saúde identificou três casos considerados graves, incluindo dois óbitos, que estão sob investigação. O ministro Padilha informou que, até o momento, as investigações não encontraram elementos suficientes para comprovar uma relação de causa e efeito entre a vacinação e essas ocorrências.
Apesar de os dados não serem conclusivos sobre a causalidade, o ministro classificou os registros como um “sinal de alerta” para o sistema de vigilância. Ele explicou que os 42 registros representam aproximadamente oito casos graves para cada 100 mil doses aplicadas, uma incidência baixa, mas que motivou a medida de precaução.
Acompanhamento especial para vacinados nos últimos 21 dias
O Ministério da Saúde informou que realizará um acompanhamento especial de pessoas vacinadas nos últimos 21 dias. O objetivo é monitorar a ocorrência de quaisquer sinais de alerta ou reações adversas, reforçando o compromisso com a segurança da população.
O Instituto Butantan, em nota, reiterou seu compromisso com a ciência e a saúde pública, afirmando que continuará colaborando com o Ministério da Saúde e a Anvisa. O instituto fornecerá todas as informações disponíveis sobre a vacina e realizará novos estudos para apoiar a farmacovigilância.
Butantan reafirma segurança e eficácia da vacina
O Instituto Butantan destacou a eficácia global da vacina em 79,6% e de 89% contra a dengue grave, conforme estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) – o acompanhamento de farmacovigilância mostrou resultados positivos, sem casos importantes de reações adversas.
O instituto reafirmou o compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para o enfrentamento de problemas de saúde pública no Brasil. A expectativa é que, com a confirmação da segurança do imunizante, a vacinação possa ser retomada em breve, proporcionando tranquilidade para a população atendida pelo SUS.