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Netanyahu ordena ataques em Beirute: Escalada em Israel-Hezbollah afeta negociações de paz com EUA e Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques contra os subúrbios do sul de Beirute, capital do Líbano, controlados pelo grupo Hezbollah. A decisão, anunciada nesta segunda-feira (1º), sinaliza uma escalada ainda maior da guerra que tem complicado a mediação para a resolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irã.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que os ataques israelenses no Líbano estão entre os fatores que causam atraso no processo diplomático para o fim da guerra. Ele reiterou que um cessar-fogo no Líbano é parte integrante de qualquer acordo.

A ordem de Netanyahu e do ministro da Defesa, Israel Katz, para que as forças armadas israelenses atacassem “alvos terroristas” nos subúrbios de Beirute, conhecidos como Dahiyeh, veio após as “repetidas violações” do cessar-fogo pelo Hezbollah e os “ataques contra nossas cidades e cidadãos”, segundo um comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelense. Israel já havia bombardeado Dahiyeh nas primeiras semanas da guerra, mas realizou apenas dois ataques na região desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo no Líbano em 16 de abril.

Israel captura castelo histórico e expande operações terrestres

A ordem de ataques em Beirute surge após a intensificação das hostilidades no sul do Líbano durante o fim de semana. Tropas israelenses capturaram o Castelo de Beaufort, com 900 anos de história, e Netanyahu ordenou que as forças armadas expandissem as operações terrestres. O objetivo, segundo Israel, é proteger o norte do país de militantes do Hezbollah infiltrados em áreas civis.

As autoridades libanesas informam que mais de 3.370 pessoas foram mortas no país em decorrência de ataques israelenses desde 2 de março. Na mesma data, o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã, que estava sob ataque conjunto americano e israelense. Israel, por sua vez, afirma que 24 de seus soldados e quatro civis foram mortos no mesmo período.

A guerra no Líbano se tornou o desfecho mais sangrento do conflito dos EUA e de Israel contra o Irã, forçando mais de um milhão de pessoas a fugir de suas casas, segundo as autoridades libanesas. Netanyahu ordenou no domingo (31) a expansão das “manobras terrestres no Líbano”, visando “aprofundar e ampliar nosso controle sobre os locais que estavam sob o domínio do Hezbollah”.

Hezbollah acusa Israel e França convoca Conselho de Segurança da ONU

Em resposta, o Hezbollah acusou Israel de violações do cessar-fogo e declarou o direito de resistir à ocupação israelense. O grupo afirmou ter realizado 21 operações no domingo, incluindo o lançamento de foguetes contra infraestrutura militar israelense na cidade de Nahariya.

Diante da escalada da violência, a França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para esta segunda-feira (1º). Os Estados Unidos têm mediado encontros entre representantes de Israel e Líbano desde o início das hostilidades.

Plano de desescalada dos EUA encontra obstáculos em Beirute e Tel Aviv

Uma fonte libanesa familiarizada com a diplomacia entre Beirute e Washington afirmou que o anúncio de Netanyahu reflete a deterioração das negociações diplomáticas lideradas pelos EUA nos últimos dias. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversou com o presidente libanês Joseph Aoun e com Netanyahu, propondo um plano para uma “desescalada gradual”.

O plano americano propõe que o Hezbollah cesse todos os ataques contra Israel, e em troca, Israel se abstenha de intensificar o conflito em Beirute. “Isso criaria espaço para uma desescalada gradual e uma cessação efetiva das hostilidades”, disse um funcionário americano.

O presidente Aoun tentou avançar com a proposta, mas o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, colocou a responsabilidade sobre Israel de “parar de atirar primeiro”. Berri garantiu o compromisso do Hezbollah com um cessar-fogo, mas questionou quem obrigaria Israel a cessar sua agressão.

By Ana Clara Martins

Ana Clara Martins é jornalista e redatora especializada em cultura pop, entretenimento e tendências digitais. Atua há mais de 5 anos na produção de conteúdo para blogs, portais e redes sociais, sempre com foco em engajamento e credibilidade.