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Hotéis Vazios em Cuba: Bloqueio dos EUA Afugenta Turistas e Devasta Economia do Paraíso Colonial

A economia de Cuba vive um colapso sem precedentes, com o setor turístico, antes promissor, esvaziando hotéis e praias. O bloqueio imposto pelos Estados Unidos tem sido o principal vilão dessa crise, afetando diretamente o fluxo de visitantes e a receita essencial para a ilha.

Cuba, conhecida por suas belezas naturais, arquitetura colonial e rica cultura, enfrenta uma realidade desoladora. Antigos pontos turísticos, que antes fervilhavam com a presença de visitantes estrangeiros, agora se assemelham a cidades-fantasmas. A falta de turistas, em grande parte devido às sanções americanas, impactou severamente a economia local.

A situação é tão grave que músicos que há décadas se apresentam em praças históricas, como em Havana Velha, relatam a drástica diminuição de público. “Não há turistas”, desabafou um artista local, que preferiu não se identificar por receio de represálias. Ele descreve a cena como desoladora, com a passagem de um visitante a cada hora.

As estatísticas oficiais do governo cubano pintam um quadro alarmante: nos primeiros cinco meses de 2026, a ilha recebeu apenas 360 mil turistas, uma queda expressiva de 58% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Para se ter uma ideia da magnitude do problema, a vizinha República Dominicana registrou mais de dez vezes esse número no mesmo período, conforme divulgado pelas autoridades cubanas.

O Impacto Devastador das Sanções Americanas

A crise econômica em Cuba se aprofundou após uma série de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. O corte no fornecimento de petróleo, crucial para a ilha, e o bloqueio petrolífero subsequente desestabilizaram ainda mais a economia. Essas medidas, segundo o governo americano, visam pressionar o regime cubano a promover reformas políticas e abrir o mercado para investimentos estrangeiros.

Uma nova rodada de sanções mira empresas estrangeiras que mantêm negócios com militares cubanos, setor que controla grande parte do turismo. Isso levou diversas redes hoteleiras internacionais a abandonarem a ilha, agravando a escassez de serviços e a queda na receita turística. O presidente americano chegou a comparar o potencial turístico de Cuba ao petróleo venezuelano, sinalizando a intenção de manter a pressão.

O Setor de Turismo em Colapso

O setor de turismo cubano já vinha lutando para se recuperar da pandemia de COVID-19, e as sanções americanas agravaram ainda mais a situação. Operadoras de turismo, como a Cubania Travel do Reino Unido, foram forçadas a suspender suas atividades por tempo indeterminado.

Lucy Davies, diretora da Cubania Travel, descreveu a situação como um “turismo macabro”, questionando quem gostaria de visitar um país em tais circunstâncias. Ela relatou que, diante da impossibilidade de levar turistas, está agora focada em organizar doações de alimentos para a população cubana, garantindo também trabalho para sua equipe local.

Uma Aposta Arriscada do Governo Cubano

A aposta do governo cubano no turismo como motor de sua economia, com a construção de diversos hotéis na última década, parece ter sido equivocada diante do cenário atual. Muitos desses empreendimentos agora se encontram vazios, um símbolo amargo do colapso.

Em uma tentativa de reverter o quadro, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou que cubanos, tanto na ilha quanto no exterior, poderiam assumir a gestão dos hotéis do governo. No entanto, economistas como Pedro Monreal expressam ceticismo, apontando a falta de capital e expertise no setor privado cubano para substituir grandes redes hoteleiras internacionais.

Monreal destaca que o Estado cubano investiu excessivamente em infraestrutura turística em detrimento de áreas essenciais como saúde, educação e agricultura. Essa concentração de recursos no turismo, somada às sanções, estaria levando o governo à beira da falência, enquanto a construção de novos hotéis, aparentemente desnecessários, continua.

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