Produtores antecipam compras de defensivos para a safra 2026/2027 impulsionados pela instabilidade geopolítica
A aquisição de defensivos agrícolas para a safra 2026/2027 está sendo antecipada por produtores rurais no Brasil. O movimento não é motivado por fatores tradicionais do agronegócio, mas sim pela **guerra no Oriente Médio**. O receio de que os custos de produção aumentem e sejam repassados para o campo tem levado agricultores a garantir a compra de insumos essenciais.
Essa antecipação reflete uma estratégia de mitigação de riscos em um cenário de incertezas globais. A preocupação se estende a outros insumos importantes, como sementes, que também estão sendo adquiridos com antecedência por parte dos produtores. A busca por segurança no abastecimento é o principal motor dessa decisão.
A tendência de antecipação de compras de defensivos agrícolas para a safra 2026/2027 foi confirmada por representantes de grandes empresas do setor e de cooperativas agrícolas. Conforme informações divulgadas pela Comigo, o volume de negócios fechados na Tecnoshow, feira agrícola realizada em Rio Verde (GO), já superou o total do ano anterior, sinalizando um aquecimento incomum para o período.
Impacto do petróleo na cadeia produtiva de defensivos
Executivos de empresas como Corteva, BASF e Ihara, presentes na Tecnoshow, relatam que o cenário de incertezas geopolíticas não freou, mas sim acelerou as negociações. O petróleo, além de essencial para a logística, é uma **matéria-prima fundamental na produção de defensivos agrícolas**. A instabilidade no fornecimento e o aumento do preço do petróleo impactam diretamente os custos de produção desses insumos.
Valdumiro Garcia, gerente de marketing regional da Ihara para o Cerrado Leste, explica que a China, principal fornecedora de matéria-prima para a indústria química, depende significativamente do petróleo iraniano. Com as tensões na região, a China busca novas fontes, elevando os custos da matéria-prima, o que, consequentemente, é repassado para toda a cadeia produtiva. Um boletim de um fornecedor chinês indicou aumentos de **5% a 10% no custo de matérias-primas para herbicidas, fungicidas e inseticidas**.
Garcia ressalta que parte desse aumento já se reflete no mercado brasileiro, somado aos custos de importação. A expectativa é que o percentual total de alta ainda possa variar, gerando mais incertezas para os produtores. Essa dinâmica pressiona ainda mais a necessidade de planejamento e antecipação.
Antecipação como estratégia para minimizar riscos futuros
William Weber, líder comercial da Corteva para a região norte, descreve um movimento comercial semelhante de antecipação. Ele enfatiza que o petróleo é um ingrediente ativo até mesmo na fabricação dos plásticos utilizados nas embalagens de defensivos. Diante da perspectiva de aumento nos preços, o agricultor busca **minimizar riscos futuros** ao antecipar suas compras. Essa tendência de compra antecipada tem se consolidado nas últimas semanas na região em que atua.
O mercado brasileiro de insumos opera majoritariamente por meio de distribuidores e cooperativas (cerca de 70%), com os 30% restantes em negociações diretas entre indústria e agricultor. O movimento de antecipação é mais acentuado entre os produtores que optam pela venda direta, geralmente grandes empresas agrícolas. Segundo Garcia, quando o produtor percebe uma boa relação de troca, ele **garante todos os insumos com foco na produção**.
Investimento em insumos de alta performance para garantir margens
Delcides Netto, diretor de vendas da BASF para a região norte, resume o cenário: “Os produtos de alta performance, ou seja, os melhores insumos, serão ainda mais necessários para garantir a produtividade e defender as margens em momentos de instabilidade”. Ele destaca que o produtor rural deseja **garantir esses ingredientes antes que novas altas apertem ainda mais as margens** de lucro. Essa busca por insumos de qualidade superior é uma resposta direta à volatilidade do mercado e aos custos crescentes.
A estratégia de antecipar a compra de defensivos para a safra 2026/2027, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e seus reflexos nos custos de produção, demonstra a **resiliência e o planejamento do agronegócio brasileiro** diante de desafios globais. A prioridade é assegurar a continuidade da produção e a rentabilidade das lavouras em um ambiente de mercado cada vez mais complexo.