Ajuste do imposto de importação mira máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia, com novas alíquotas e exceções para produtos sem fabricação nacional
O governo federal anunciou um aumento de tarifas sobre mais de mil produtos importados, numa medida que tem como objetivo reduzir a dependência da indústria brasileira de insumos e equipamentos estrangeiros.
A mudança concentra-se em máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia, e deve valer em etapas a partir de fevereiro e março deste ano.
Conforme informação divulgada pelo governo federal.
O que foi decidido e quando passa a valer
A atualização tributária foi formalizada pela resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, e inclui 1.252 códigos de produtos com novas alíquotas, com vigência a partir de fevereiro e março deste ano.
O objetivo declarado é recompor tarifas que, na visão do governo, vinham sendo reduzidas em excesso, deixando a indústria nacional em desvantagem frente a fornecedores externos.
Quais produtos e faixas de alíquotas
O ajuste atinge principalmente servidores, switches, roteadores, máquinas e equipamentos usados em mineração, petróleo e gás, energia, infraestrutura e agronegócio.
A estrutura anterior tinha muitos itens com imposto zerado ou muito baixo, em alguns casos com alíquota de 0% ou inferior a 7%. Com a mudança, as tarifas passam a ficar mais concentradas em níveis próximos de 7%, 12,6% e 20%.
Dados e argumentos do governo
Segundo levantamento citado pela equipe econômica, em 2025 as compras externas de bens de capital e tecnologia somaram cerca de US$ 75 bilhões, com crescimento expressivo nos últimos anos.
Uma nota técnica do Ministério da Fazenda classificou o movimento como uma ameaça à estrutura produtiva nacional e defendeu que a recomposição tarifária pode ajudar a “reequilibrar preços relativos” entre produtos nacionais e importados, estimulando investimentos na indústria doméstica.
Reações e exceções
A Associação Brasileira das Empresas de Software reagiu com preocupação, afirmando, “Esta medida não afeta apenas o setor de tecnologia, mas toda a economia nacional, uma vez que a tecnologia da informação constitui hoje a infraestrutura transversal que sustenta e viabiliza todos os demais setores econômicos”.
Ao mesmo tempo, o governo manteve mecanismos para reduzir ou zerar impostos quando não há produção nacional, como o ex-tarifário, e preservou regimes especiais usados por setores intensivos em investimento, incluindo Repetro, Recof e drawback.
Na prática, essas exceções funcionam como amortecedor, permitindo elevar a proteção à indústria sem interromper projetos que dependem de tecnologia estrangeira.
Impactos previstos
O governo avalia que o efeito sobre a inflação será limitado, porque a maioria dos itens afetados são bens de produção e não consumo final.
Analistas e representações setoriais alertam para o risco de encarecimento de projetos de investimento e para efeito sobre cadeias produtivas que dependem de componentes importados.
A mudança insere-se numa estratégia mais ampla de política industrial, alinhada à agenda chamada Nova Indústria Brasil, e segue tendência internacional de países que usam tarifas e instrumentos industriais para proteger setores considerados estratégicos.