Governo analisa elevação da mistura de etanol anidro na gasolina para 32% ainda neste semestre
O Ministério de Minas e Energia (MME) sinalizou a possibilidade de aumentar a proporção de etanol anidro na gasolina comercializada no Brasil, passando dos atuais 30% para 32%. A medida, caso confirmada, tem potencial para gerar **impactos significativos na economia**, impulsionando a demanda pelo biocombustível, diminuindo a dependência da gasolina importada e fortalecendo a **segurança energética** do país.
A proposta surge em um momento estratégico, com o governo indicando que a decisão pode ser anunciada ainda no primeiro semestre de 2026. Essa antecipação coincide com o início da safra de cana-de-açúcar, permitindo que as usinas se preparem e ajustem seus planos de produção para atender à nova demanda por etanol anidro.
A avaliação é do analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado, que destaca os benefícios econômicos e ambientais da iniciativa. Conforme informações divulgadas pelo analista, cada ponto percentual de aumento na mistura representa um acréscimo de cerca de 840 milhões de litros na demanda anual por etanol anidro. Com o aumento proposto de dois pontos percentuais, o mercado poderá absorver aproximadamente **1,68 bilhão de litros adicionais**.
Impacto na Produção e Preços do Etanol e Açúcar
A elevação da demanda por etanol anidro tende a **direcionar mais cana-de-açúcar para a produção do biocombustível**, o que, por sua vez, pode reduzir a oferta de açúcar no mercado. Essa dinâmica tem o potencial de elevar os preços de ambos os produtos. Muruci estima que o mix de produção da cana destinado ao etanol deve subir para cerca de 54% nesta safra, revertendo a tendência do ciclo anterior, quando o açúcar apresentava maior rentabilidade.
Atualmente, o cenário se inverte, com o etanol voltando a ser mais competitivo. A vantagem de preço estimada do etanol sobre o açúcar varia entre **30% e 35%**, tornando o biocombustível uma opção mais atraente para as usinas no que diz respeito à rentabilidade.
Redução do Consumo de Gasolina e Ganhos Ambientais
A mudança na composição da gasolina também impacta diretamente o consumo do combustível fóssil. O aumento de 4,2 bilhões de litros na oferta de etanol anidro em um ano, considerando o ajuste anterior de 27% para 30% e o potencial novo aumento, equivale a pouco mais de um mês do consumo nacional de gasolina. Essa redução no consumo de gasolina importada **fortalece a balança comercial** e a segurança energética do Brasil.
Além dos benefícios econômicos, a medida traz **ganhos ambientais importantes**, ao ampliar o uso de um combustível renovável e considerado menos poluente. O uso do etanol contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, alinhando o país com metas de sustentabilidade.
Projeções de Produção e Mercado para o Setor Sucroenergético
Se confirmada, a alteração nas regras de mistura deverá modificar as projeções iniciais para o setor. A Safras & Mercado revisa suas estimativas, prevendo uma safra mais voltada para o etanol, com produção de anidro entre 14 e 15 bilhões de litros e de hidratado entre 18 e 19 bilhões de litros. Em contrapartida, a produção de açúcar deve recuar para algo entre 37 e 38 milhões de toneladas, com uma consequente queda nas exportações.
Apesar de uma possível pressão pontual de baixa nos preços do etanol no início da safra, devido ao aumento da oferta, a tendência de médio e longo prazo é de **valorização sustentada pela demanda aquecida**. O mercado de etanol anidro demonstra robustez e potencial de crescimento com as novas diretrizes governamentais.