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Dólar abaixo de R$ 5: Analistas debatem se a queda é sustentável ou apenas um respiro momentâneo

Análise detalhada: Dólar abaixo de R$ 5 é possível, mas cenário segue incerto, dizem analistas

O dólar retornou ao patamar dos R$ 5,10 nesta quarta-feira (8), atingindo a menor cotação em quase dois anos. Este movimento reacendeu o debate sobre a possibilidade de a divisa americana voltar a ser negociada abaixo de R$ 5, algo que não ocorre desde março de 2024.

Especialistas consultados pelo CNN Money apontam que a queda do dólar é factível, mas ressaltam que o cenário ainda é **incerto** e o câmbio deve continuar volátil. A expectativa de recuo da moeda americana para valores mais baixos é impulsionada por fatores como o histórico recente e o alívio global com um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que, apesar da alta do dólar ante o real em março, a variação não chegou ao nível de *overshooting*, um movimento exagerado. Segundo ele, os fundamentos que favoreceram o câmbio até o início do conflito no Oriente Médio permanecem, como o fluxo estrangeiro, o diferencial de juros e a realocação de capital para emergentes. Agora, um novo elemento surge: o preço do petróleo, que tende a negociar com prêmio nos próximos meses, impactando positivamente a balança comercial brasileira e a oferta de dólares.

Fatores que impulsionam a queda do dólar

A queda recente do dólar é atribuída a uma combinação de fatores. Um deles é o **alívio global** com as notícias de um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que diminui a percepção de risco no mercado internacional. Além disso, o Brasil tem se beneficiado de um **fluxo estrangeiro** robusto, atraído pelo diferencial de juros em relação a outros países e pela realocação de capital de investidores buscando oportunidades em mercados emergentes.

Bruno Shahini, da Nomad, lembra que em 2025, o dólar já havia perdido 11% ante o real, e a tendência de queda se manteve nos primeiros meses de 2026. Ele ressalta que, mesmo em momentos de maior tensão no Oriente Médio, o real se comportou de forma saudável, consolidando-se em patamares próximos a R$ 5,20 e R$ 5,25. A expectativa é que o preço do petróleo, um importante item de exportação para o Brasil, continue com prêmio, fortalecendo a balança comercial e a oferta de dólares.

Cenário doméstico e global: a busca pelo R$ 5

Para que o dólar retorne de forma sustentável ao patamar abaixo de R$ 5, é necessário um alinhamento de conjunturas positivas nos cenários doméstico e global. Patrícia Palomo, economista na Arau Consultoria, considera essa queda possível, mas não a prevê como cenário base no momento. Ela aponta que, externamente, seria necessária uma **redução mais estrutural do risco geopolítico**, que retire o prêmio de risco associado ao petróleo e ao dólar.

Internamente, o Brasil precisa apresentar um **vetor de confiança mais robusto**. Isso inclui uma combinação de disciplina fiscal crível, redução de incertezas institucionais e a manutenção de um diferencial de juros que continue atrativo para fluxos de capital. Sem esses elementos, a queda expressiva do dólar se torna menos provável.

Incertezas eleitorais e fiscais pesam no câmbio

Marco Harbich, CIO da Gordon Capital, concorda com a visão de que o dólar próximo de R$ 5 pode ser um movimento momentâneo, especialmente diante das **incertezas eleitorais** que se aproximam no Brasil. Ele alerta que o cenário eleitoral, com sua inerente volatilidade, pode impactar negativamente a moeda brasileira.

Danilo Coelho, economista, reforça que o **cenário fiscal** e as eleições presidenciais ainda são entraves significativos para uma queda expressiva do dólar. Ele considera pouco provável que a dinâmica de dólar abaixo de R$ 5 se consolide no futuro próximo, dada a volatilidade relevante a ser considerada no preço da moeda. Shahini, da Nomad, observa que o mercado ainda não precifica de forma relevante o cenário eleitoral, o que deve ganhar mais força a partir do segundo semestre.