Bélgica busca reverter decisão da FIFA sobre Folarin Balogun e apela contra liberação do atacante dos EUA para oitavas de final
A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) obteve o direito de recorrer da decisão da FIFA que suspendeu a punição de um jogo imposta ao atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. A notícia, divulgada pelo portal “The Athletic”, adiciona uma nova camada de tensão ao aguardado confronto das oitavas de final da Copa do Mundo.
Balogun, artilheiro da seleção americana no torneio com três gols, havia recebido um cartão vermelho direto, o que implicaria em suspensão automática para a partida contra a Bélgica. No entanto, a FIFA anunciou no último domingo (5) a retirada dessa suspensão, permitindo que o jogador estivesse apto para o jogo.
A decisão gerou grande repercussão e um comunicado oficial da RBFA indicando que a entidade explorava “todas as opções possíveis”. Conforme apurado pelo “The Athletic”, a federação belga formalizou o recurso junto à FIFA, que aceitou a solicitação para análise. Conforme informação divulgada pelo “The Athletic”, a RBFA e a Federação de Futebol dos EUA (US Soccer) foram intimadas a apresentar suas alegações até as 9h (horário de Brasília) de segunda-feira, 12 horas antes do início previsto da partida.
Entenda o caso e a polêmica envolvendo Folarin Balogun
Folarin Balogun, de 25 anos, é peça fundamental no ataque americano, sendo o principal goleador da equipe na Copa do Mundo com três gols, incluindo o tento decisivo contra a Bósnia e Herzegovina. A expulsão, posteriormente revisada pelo VAR, gerou a suspensão que foi, de forma surpreendente, revogada pela FIFA.
O caso ganhou contornos ainda mais inusitados com relatos de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria entrado em contato com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, solicitando a revisão da decisão. Howard Lutnick, secretário de comércio, e outros funcionários da Casa Branca também teriam participado das discussões.
Em publicação no Truth Social, Trump celebrou a decisão da FIFA, declarando: “Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”. A declaração presidencial adiciona um elemento político à controvérsia esportiva.
Regulamentos da FIFA e a defesa da Bélgica
Oficialmente, cartões vermelhos e suspensões diretas não costumam ser passíveis de contestação. No entanto, a FIFA publicou uma nota sobre a aplicação do regulamento no caso Balogun, citando o Artigo 27 do Código de Defesa da Federação. Segundo a entidade, a aplicação da suspensão automática de jogo ao jogador americano Folarin Balogun fica suspensa por um período probatório de um ano.
A Federação de Futebol dos EUA manifestou satisfação com a decisão, afirmando: “Aceitamos a decisão do Comitê Disciplinar e estamos satisfeitos que Folarin Balogun esteja apto a concluir a transferência. Toda a nossa atenção está voltada para o jogo das oitavas de final contra a Bélgica em Seattle, e contamos com o apoio contínuo de nossos incríveis torcedores.”.
Em contrapartida, a federação belga emitiu um comunicado contundente, condenando a decisão da FIFA e invocando outras partes do código disciplinar e regulamentos da competição que, segundo a RBFA, tornam as decisões sobre cartões vermelhos definitivas. A nota finaliza: “A fim de salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do fair play em nosso esporte, tanto nesta Copa do Mundo da FIFA quanto em futuras edições do torneio. A RBFA está investigando todas as opções possíveis”.
Técnico belga e precedentes em Copas
O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, expressou seu desconforto com a situação em coletiva de imprensa, declarando ironicamente que não sabia que o dia 5 de julho havia se transformado no Dia da Mentira. “Muitos dos nossos pensamentos e opiniões estão no comunicado”, disse Garcia. “Não estamos defendendo a seleção nacional ou a federação, estamos defendendo o futebol.”.
A situação lembra um caso anterior envolvendo Cristiano Ronaldo antes do início da Copa do Mundo. O craque português enfrentava uma suspensão de três jogos, mas acabou cumprindo apenas uma partida, com as outras duas suspensas e convertidas em um período de liberdade condicional de um ano.
O técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, defendeu a decisão da FIFA, argumentando que a entidade não deveria ter revisto a punição. “Para mim, não há muito o que debater aqui, embora eu entenda a perspectiva da Bélgica e o ponto de vista de Rudi. Eu entendo por que as pessoas confundem as coisas – as pessoas sempre fazem isso, porque muitas vezes há uma intenção de criar confusão – mas, neste caso, não acho que seja correto”, afirmou Pochettino.
Pochettino ressaltou que, se alguém foi prejudicado, foi a própria seleção dos Estados Unidos. “Jogar 30 ou 35 minutos com um jogador a menos em uma partida eliminatória da Copa do Mundo? Não é como se estivéssemos nos beneficiando. Não, não. Não estamos obtendo nenhum ganho extraordinário com tudo isso. Quer dizer, no fim das contas, não somos vítimas, mas também não somos os vilões dessa história”, concluiu o técnico.