Aumento da Rotatividade no Comércio Atacadista Paulista Eleva Custos e Preocupa Setor
A persistente alta na rotatividade de empregados no comércio atacadista paulista tornou-se um dos principais pontos de atenção para os empresários do setor. O constante vai e vem de profissionais não apenas pressiona o mercado de trabalho, mas também se traduz em aumento de custos para as empresas.
Esse cenário foi detalhado em um recente levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Os dados apontam para um aumento significativo na taxa de turnover, um reflexo direto de um mercado aquecido e com escassez de mão de obra qualificada.
A dificuldade em reter talentos e a necessidade de constante recrutamento e treinamento geram impactos financeiros e operacionais consideráveis, exigindo novas estratégias de gestão de pessoas para garantir a competitividade. As informações são da FecomercioSP.
Rotatividade no Atacado Paulista Atinge 47,3%
O estudo da FecomercioSP revelou que a taxa de rotatividade no setor atacadista paulista subiu para 47,3%, superando os 45% registrados há três anos. Segundo a entidade, esse avanço é um indicativo de um mercado de trabalho com baixo desemprego, onde a oferta de vagas qualifica se torna superior à demanda por candidatos.
Nesse contexto, os trabalhadores tendem a buscar novas oportunidades com mais frequência, visando melhores salários, benefícios e posições que se alinhem melhor às suas qualificações. Essa dinâmica, embora positiva para o trabalhador, impõe desafios significativos para a gestão das empresas.
Ronaldo Jamar Taboada, presidente do Conselho de Comércio Atacadista da FecomercioSP, destaca a importância de monitorar esses índices. “Acompanhar a taxa de rotatividade do setor é de extrema importância, porque nos mostra tanto o aquecimento do mercado de trabalho como os custos para as empresas“, afirma.
Custos Diretos e Indiretos da Alta Rotatividade
A troca constante de funcionários acarreta despesas diretas significativas para as empresas. Elas incluem os custos com recrutamento, seleção, exames admissionais e os programas de treinamento para os novos colaboradores. Cada nova contratação demanda investimento em tempo e recursos.
Além desses gastos imediatos, o setor atacadista enfrenta um impacto adicional, mais difícil de quantificar: o tempo necessário para que um novo funcionário atinja sua plena produtividade. Esse período de adaptação representa uma perda de eficiência operacional.
A perda de capital humano específico, que engloba o conhecimento tácito, o relacionamento com clientes e fornecedores, e o domínio dos processos internos, é um prejuízo considerável. No atacado, essa curva de aprendizado é particularmente sensível, exigindo que o profissional conheça o mix de produtos, os fornecedores e, crucialmente, a carteira de clientes.
Gestão de Pessoas como Diferencial Competitivo
Taboada ressalta que, apesar do cenário positivo de pleno emprego, a dificuldade em reter e encontrar profissionais qualificados se tornou um gargalo para o setor. “Se, por um lado, podemos comemorar o pleno emprego, por outro, a dificuldade de reter e de encontrar funcionários qualificados se tornou um gargalo para o setor”, explica.
Ele enfatiza que a gestão de pessoas deve ser encarada como um diferencial competitivo. Para isso, são necessários investimentos em estratégias de retenção, planos de carreira atrativos, ambientes de trabalho estimulantes e programas de qualificação contínua.
O presidente do Conselho sugere que os profissionais se preparem para as oportunidades, buscando instituições de formação como o Senac-SP, que desempenha um papel importante na capacitação de mão de obra para o segmento atacadista.
Variações da Rotatividade por Segmento no Atacado
O levantamento da FecomercioSP analisou 11 atividades distintas dentro do setor atacadista, e oito delas registraram aumento na rotatividade em junho de 2026 em comparação com o mesmo período de 2023. Os maiores avanços foram observados nos segmentos de eletrônicos, informática e equipamentos de uso pessoal, alimentos e bebidas, e produtos farmacêuticos, perfumaria e higiene pessoal, todos com elevação de 4,6 pontos percentuais.
Em contrapartida, alguns setores apresentaram queda na rotatividade. O segmento de papel, resíduos e sucatas registrou uma redução de 2,8 pontos percentuais, seguido por tecidos, vestuário e calçados, com queda de 2,5 pontos percentuais, e máquinas de uso comercial e industrial, com menos 2,2 pontos percentuais.
O estudo também apontou que a maior demanda por mão de obra qualificada e especializada em produtos e equipamentos para uso médico, hospitalar e odontológico contribuiu para a menor taxa de rotatividade entre os grupos avaliados. Este segmento apresentou um índice de 32%, significativamente abaixo da média setorial de 47,3%, com uma variação de apenas 0,4 ponto percentual em relação a 2023, indicando maior estabilidade.