Governo Americano Revisa Acusações de Vandalismo no Lincoln Memorial Após Descoberta de Falha na Empreiteira
O governo dos Estados Unidos, sob a administração do ex-presidente Donald Trump, admitiu que o problema no revestimento do espelho d’água do Lincoln Memorial, em Washington, foi causado por uma instalação defeituosa. A empreiteira Atlantic Industrial Coatings é apontada como responsável pelos danos ocorridos em junho de 2026.
A mudança de narrativa levou o Departamento de Justiça a solicitar a desistência da ação judicial contra David “Davey” Hearn, de 67 anos, ex-atleta olímpico americano. Hearn havia sido acusado de vandalizar o monumento, mas agora as evidências apontam para falhas na execução da obra.
O caso, que gerou intensa polêmica e disputa política, ganhou novos contornos com a divulgação de documentos que indicam a pressa para concluir o projeto antes de eventos importantes, como as celebrações do “America 250”, próximo ao Dia da Independência de 2026. O Departamento do Interior dos EUA forneceu as informações que embasaram a revisão das acusações.
Reforma Milionária e Problemas Iniciais no Espelho d’Água
O espelho d’água do Lincoln Memorial, um dos cartões postais mais famosos de Washington, foi reaberto em junho de 2026 após uma reforma custosa, avaliada em cerca de US$ 14,7 milhões. No entanto, poucas semanas após a conclusão, surgiram problemas como a proliferação de algas e o desprendimento da camada azul instalada no fundo da piscina.
O incidente chamou a atenção de visitantes e gerou registros de ocorrências. O Departamento do Interior informou que, na época, cinco pessoas foram presas por vandalismo, outras cinco receberam notificações federais e 14 boletins de ocorrência foram registrados. Entre os detidos estava David Hearn.
David Hearn Nega Vandalismo e Declaração de Trump
David Hearn, ex-canoísta olímpico, sempre negou as acusações de vandalismo. Ele afirmou à mídia que apenas tocou em um pedaço do revestimento que já estava solto, contestando a versão de que teria danificado deliberadamente o patrimônio público. A declaração de Hearn contrasta com a posição inicial do governo Trump.
Na época, Donald Trump utilizou suas redes sociais para afirmar que o espelho d’água havia sido deliberadamente vandalizado. Ele chegou a mencionar que o revestimento apresentava um corte de mais de 100 metros e sugeriu que substâncias poderiam ter sido adicionadas à água para causar a proliferação de algas, sem apresentar provas concretas.
Contexto Político e Críticas à Gestão da Obra
O episódio do espelho d’água se transformou em mais um ponto de atrito entre apoiadores e críticos de Trump. Enquanto aliados viam o ocorrido como uma tentativa de sabotagem a projetos de revitalização, opositores apontavam para falhas na própria execução da obra, criticando o foco dado ao incidente em detrimento de outras crises nacionais.
Grupos ambientalistas e organizações que questionavam judicialmente a reforma também apontaram que os problemas reforçavam suspeitas de que o projeto foi executado de forma apressada para cumprir prazos políticos. A mudança na narrativa do governo, agora atribuindo a culpa à empreiteira, corrobora parte dessas críticas sobre a gestão da obra.
Revisão Judicial e Desistência de Acusações
A petição do Departamento de Justiça para desistir da ação contra David Hearn marca uma reviravolta significativa no caso. A decisão se baseia em documentos que indicam que os danos ao espelho d’água foram resultado de uma instalação defeituosa e da pressão para concluir o projeto. A empreiteira Atlantic Industrial Coatings é agora o foco das investigações sobre a responsabilidade pelos prejuízos.
A desistência das acusações contra Hearn demonstra a importância da análise de evidências e a possibilidade de revisão de decisões em casos de supostos danos ao patrimônio público. O caso serve como um exemplo de como investigações posteriores podem alterar o curso de processos judiciais e trazer à tona falhas na execução de obras públicas.