Eneva Conclui Venda Estratégica de Usina a Carvão no Ceará por R$ 839,2 Milhões
A Eneva anunciou nesta segunda-feira (31) a conclusão de uma importante venda estratégica: a usina termelétrica Pecém II, localizada no Ceará, foi adquirida pela Diamante Geração. O negócio, que havia sido inicialmente divulgado em março, movimentou um valor total de R$ 839,2 milhões em enterprise value.
Com a transação, a Diamante Geração passa a deter 100% das ações da Pecém II, que possui uma capacidade instalada de 365 megawatts (MW). O valor efetivamente pago pela compradora no fechamento da operação foi de R$ 748,4 milhões, com a possibilidade de uma parcela adicional de até R$ 149 milhões, dependendo de condições futuras ligadas a contratos de reserva de capacidade.
Esta venda representa um passo significativo na estratégia da Eneva de otimizar seu portfólio e gerar capital para investir em novas oportunidades, especialmente em um cenário de crescente demanda por energia e transição energética. Conforme informação divulgada pela CNN Brasil, a operação foi anunciada em primeira mão em março.
Diamante Consolida Operações no Complexo do Pecém
A aquisição da Pecém II pela Diamante Geração tem um impacto estratégico importante, pois une sob o mesmo controle as duas usinas termelétricas a carvão do complexo industrial e portuário do Pecém. A Diamante já era proprietária da Pecém I, anteriormente pertencente à EDP, e a integração das duas unidades promete gerar **sinergias operacionais significativas**.
Jorge Nemr, presidente do conselho da Diamante, destacou a complementaridade entre os ativos. “Pecém II é um ativo que tem um valor estratégico particular para a Diamante porque complementa Pecém I. São usinas concebidas de forma integrada, com infraestrutura compartilhada, e a consolidação permite extrair sinergias que não estariam disponíveis da mesma forma para outro operador”, afirmou Nemr.
A expectativa é que essa consolidação resulte em um **aumento da eficiência e competitividade** de todo o complexo, aproveitando estruturas compartilhadas como a esteira de transporte de carvão a partir do porto, originalmente concebida para operar de forma integrada.
Novos Horizontes para a Eneva e Investimentos em Energia
Para a Eneva, a venda da Pecém II se insere em um plano maior de **reciclagem de portfólio e levantamento de capital**. Esses recursos serão fundamentais para financiar um novo ciclo de investimentos, especialmente após a empresa ter sido uma das principais vencedoras em recentes leilões de capacidade de energia.
A empresa busca se posicionar cada vez mais em fontes de energia mais limpas e inovadoras. Paralelamente à venda, a Eneva e a Diamante celebraram um termo de cessão que lhes confere o direito de implementar um terminal de importação, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) no complexo do Pecém. Este terminal terá capacidade para escoar até 14 milhões de metros cúbicos de gás por dia, viabilizando o desenvolvimento de um polo energético no Ceará.
Benefícios de Longo Prazo e Contratos de Energia
A Pecém II, agora sob o controle da Diamante, conta com **contratos de venda de energia de longo prazo**, com vigência até 2028. Adicionalmente, a usina garantiu novos contratos no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, com fornecimento previsto para iniciar em 2031 e com duração de dez anos.
Essa garantia de receita futura, combinada com as sinergias operacionais esperadas, torna a aquisição um movimento estratégico para a Diamante Geração, fortalecendo sua posição no mercado de geração de energia no Nordeste brasileiro e consolidando sua atuação no complexo do Pecém.