Pedido de eleições em tempo de guerra na Ucrânia: um desafio para Zelensky e um presente para a Rússia
O apelo do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov por eleições presidenciais em tempo de guerra atinge diretamente as vulnerabilidades de Volodymyr Zelensky. Este é o maior desafio interno que o presidente ucraniano enfrenta, embora na prática provavelmente não resulte em nada concreto.
A queda na popularidade de Zelensky, mudanças de posição em decisões de pessoal e alegações de corrupção têm impactado as pesquisas de opinião. Uma investigação sobre altos funcionários do gabinete de Zelensky foi anunciada recentemente, evidenciando as pressões sobre o governo.
Agora, um jovem rosto reformador, Fedorov, o ex-ministro da Defesa demitido por tentar combater métodos arcaicos e corruptos, exige algo puro e democrático: uma votação. Conforme divulgado, Fedorov declarou: “A democracia não pode ser refém da Rússia. Estamos lutando precisamente porque queremos continuar sendo um Estado europeu livre”.
A Impraticabilidade Logística de Eleições em Tempo de Guerra
A realização de uma votação em meio ao conflito é considerada praticamente impossível pela maioria dos especialistas eleitorais. Mesmo em tempos de paz, a Ucrânia precisaria de aproximadamente seis meses para implementar reformas legislativas e instalar a tecnologia necessária para um pleito que atendesse aos padrões europeus.
Com o cessar-fogo e o fim dos combates longe de serem vislumbrados, uma votação incompleta ou que gerasse narrativas de ilegitimidade seria um presente para Moscou. O Kremlin tem consistentemente explorado a proibição de eleições em tempo de guerra pela lei marcial para questionar a legitimidade de Zelensky.
Além disso, uma eleição poderia paralisar Kiev. O lado perdedor poderia atrasar reformas legislativas e minar a presidência, configurando uma derrota interna. A ideia de Fedorov, um gênio da tecnologia, tornar a votação remota viável em tempo de guerra é teoricamente possível, mas enfrenta desafios monumentais.
Desafios da Votação Remota e Inclusão de Todos os Cidadãos
Uma votação digital que incluísse todas as tropas na linha de frente, com milhares de desaparecidos em combate, exigiria um mecanismo complexo. Essa tecnologia certamente excluiria milhões de pensionistas ucranianos sem acesso à internet, além de ucranianos em áreas ocupadas ou vivendo como refugiados no exterior.
Como realizar eleições rigorosas em dezenas de consulados pela Europa e além? Um soldado em uma trincheira com comunicações precárias teria tempo para estudar opções e votar, ou deveria estar focado em defender sua pátria? A situação seria caótica.
Qualquer eleição em tempo de guerra seria um prato cheio para a Rússia e sua guerra de desinformação. A Europa poderia se deparar com um resultado eleitoral apressado e potencialmente fraudulento, ou uma transição de poder malfeita e incompleta. Os prováveis vencedores, segundo pesquisas, seriam Valery Zalyuzhni ou o próprio Fedorov, ambos com direcionamentos semelhantes para a Ucrânia, mas que purgariam o círculo de assessores de Zelensky, apontados por decisões equivocadas e cheiro de corrupção.
Descontentamento Crescente e a Busca por um Fim para a Guerra
O apelo de Fedorov representa uma nova corrente na política ucraniana: jovem, com experiência de poder e reforma, buscando lembrar que o presidente se distanciou de seu mandato original. Essa posição é facilmente defensável, apoiada por fatos e alimentando o crescente descontentamento com a guerra.
À medida que a mobilização forçada aumenta para preencher as fileiras em declínio da Ucrânia, a raiva em relação à presidência e aos militares também crescerá. O apelo de Fedorov também destaca uma questão central: se uma eleição não pode ocorrer em tempo de guerra, quando essa guerra termina?
O inverno que se aproxima, com a Rússia explorando a falta de interceptores Patriot da Ucrânia e avançando lentamente no Donbas, intensificará as pressões sobre Zelensky para conceder território em troca de um cessar-fogo. Zelensky tem sido claro sobre buscar garantias de segurança permanentes e descartou a concessão de território.
O Futuro de Zelensky e o Impacto do Pedido de Eleições
Quando questionado sobre seu futuro pessoal, Zelensky pareceu atônito com a sugestão de que intrigas políticas e acusações de corrupção poderiam prendê-lo ao cargo após a guerra. Ele expressou o desejo de ver seus filhos e a praia após o fim do conflito, não demonstrando ânsia por poder indefinidamente.
No entanto, não há um mecanismo adequado para a substituição de Zelensky por um sucessor genuíno e popular, a menos que ele renuncie. O apelo de Fedorov, embora bem-intencionado em não deixar a guerra destruir os valores democráticos da Ucrânia, ignora os obstáculos impostos pelo conflito e o longo caminho da Ucrânia em direção às normas europeias.
A Ucrânia adicionou à sua lista de desafios a discussão sobre a legitimidade de seu presidente em tempo de guerra. O pedido de Fedorov enfraquece Zelensky, amplifica questões sobre sua legitimidade eleitoral e reforça o clamor pelo fim da guerra, enquanto Moscou e aliados certamente explorarão a controvérsia.