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Dragagem Urgente no Tapajós: R$ 850 Milhões em Risco e 13 Mil Empregos Ameaçados pela Seca do El Niño

A urgência da dragagem no rio Tapajós: um gargalo logístico que custa caro ao Brasil

O Brasil possui um potencial imenso para se tornar um líder global em logística, com rotas fluviais que oferecem baixo custo, grande escala e menor emissão de carbono. O Arco Norte, em particular, tem se consolidado como um corredor estratégico para a exportação de grãos, apresentando alternativas mais eficientes e sustentáveis em comparação a outros modais de transporte.

Um único comboio fluvial pode transportar o equivalente a milhares de caminhões, aliviando o tráfego nas estradas e gerando significativa economia. No entanto, essa vantagem natural enfrenta obstáculos históricos, como a falta de investimentos em infraestrutura e, crucialmente, a **insegurança hídrica e estrutural** na região amazônica.

As mudanças climáticas, intensificadas por fenômenos como o El Niño, agravam essa fragilidade. A previsão de um El Niño forte em 2026, com possíveis efeitos até fevereiro de 2027, torna a **dragagem do Tapajós** não apenas uma demanda, mas uma necessidade urgente. Conforme alerta Alex Carvalho, presidente da Fiepa, em artigo à CNN Infra, a inação pode gerar prejuízos econômicos, ambientais e sociais de grande monta.

Dragagem reativa é ineficiente e cara

Apesar de investimentos emergenciais em dragagens nas hidrovias amazônicas, como no Rio Madeira, o modelo reativo de intervenção, acionado apenas quando o problema se instala, é criticado pela Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac). A **dragagem preventiva** é essencial para garantir a navegabilidade durante os períodos de estiagem, evitando desperdícios de recursos e paralisações.

Governo opta por solução rodoviária, ignorando riscos

Contrariando os setores de transporte, logística e agronegócio, o governo federal avalia uma “solução rodoviária” para o trecho do rio Tapajós entre Itaituba e Santarém, em vez de investir na dragagem. Essa escolha, mais cara, demorada e poluente, não resolve o gargalo logístico, apenas o transfere e eleva os custos. A **substituição das barcaças por caminhões** pode aumentar o frete em até R$ 250 por tonelada, segundo estimativas do MoveInfra.

Prejuízos bilionários e perda de empregos ameaçados

A ausência da dragagem no Tapajós pode gerar prejuízos de até **R$ 850 milhões**, de acordo com um ofício da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e mais de 30 entidades. A paralisação das atividades por até quatro meses e a redução do escoamento de grãos em até 5 milhões de toneladas são projeções alarmantes. Além disso, a adoção do modal rodoviário pode adicionar 55 mil toneladas de carbono às emissões.

As perdas fiscais para municípios como Itaituba e Santarém também são significativas. Na seca de 2025, as perdas sobre receitas somaram R$ 7,6 milhões. O impacto social é igualmente grave, com a projeção de que a paralisação do setor hidroviário possa **eliminar entre 10 mil e 13 mil empregos** na região Norte.

Decisão é urgente para garantir competitividade futura

A inação diante da **urgência da dragagem do Tapajós** custa caro ao Brasil. Diante da iminência de secas mais severas provocadas pelo El Niño, não se pode comprometer a segurança logística e o desenvolvimento socioeconômico do Pará com soluções provisórias. A falta de diagnóstico e de alertas já foi superada, o que não pode falhar é a **decisão política**.

O investimento em dragagem preventiva é o mínimo estruturante necessário para assegurar a competitividade brasileira no cenário internacional. Ignorar os alertas e os dados apresentados por entidades e especialistas é colocar em risco o futuro econômico e social do país.