O dólar fechou no menor valor desde 21 de maio de 2024, cotado a R$ 5,12, depois de uma redução de 0,60%, e o cenário tem gerado otimismo no mercado.
Ainda assim, para o colunista Gilvan Bueno, a baixa do câmbio exige análise cuidadosa, porque ganhos pontuais nem sempre significam melhora estrutural.
“Existe a conjuntura e existe o estrutural. Esses números parecem ser muito produtivos, mas eles não são estruturais”, ressaltou Bueno, conforme informação divulgada pela CNN Brasil.
Por que o câmbio recuou
Segundo Bueno, a queda do câmbio está ligada principalmente ao enfraquecimento do dólar no mercado internacional, motivado por escolhas de política econômica nos Estados Unidos.
“Donald Trump tem feito uma política de cada vez mais tirar o peso do dólar, olhando muito para commodities. A moeda está caindo porque os Estados Unidos estão fazendo um movimento diferente”, explicou o especialista.
O colunista também destacou a mudança no peso econômico dos EUA no mundo, afirmando que, “Na década de 1960, a participação dos Estados Unidos no PIB mundial era mais de 40%. Hoje a participação é de 20%”.
Projeções e fragilidades internas
Algumas gestoras projetam que o dólar poderia chegar a R$ 4,40, cenário que animaria importadores e reduziria custos de insumos, mas Bueno enfatiza que o Brasil ainda tem fragilidades estruturais.
“Nossa dívida pública está muito alta. As empresas saíram agora com resultados mostrando que o endividamento está muito alto. Muitas empresas com pouca capacidade e alto endividamento das famílias”, alertou o colunista, apontando riscos que podem limitar ganhos futuros.
Além disso, Bueno chamou a atenção para possíveis turbulências no segundo semestre de 2026, porque há fatores políticos que podem aumentar a volatilidade, observando que “No primeiro semestre é muito bom. No segundo semestre tem números de política, tem Donald Trump podendo perder as casas que ele possui, tanto o Congresso como o Senado”.
Apesar do cenário favorável a investimentos no curto prazo, com o país recebendo cerca de US$ 6 bilhões apenas em janeiro, a recomendação é prudência.
O que investidores devem considerar
Para quem acompanha o mercado, a palavra de ordem é atenção, porque o atual momento é mais conjuntural do que estrutural.
Como resumiu Bueno, “O dólar mais baixo é bom, mas a verdade é que a nossa estrutura não está sendo bem feita. O investidor tem que ter cuidado”.
Portanto, investidores podem aproveitar oportunidades trazidas pelo dólar baixo, mas é fundamental avaliar balanços, níveis de endividamento e a exposição a riscos políticos, para não confundir melhora temporária com mudança estruturante.