Eleições em Israel: Um olhar sobre as políticas de Netanyahu e Eisenkot em relação à Palestina
As próximas eleições em Israel prometem definir os rumos do país em um cenário político complexo, especialmente no que diz respeito ao conflito com os palestinos. Embora ambos os principais candidatos, Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot, compartilhem uma postura linha-dura em relação a Gaza e ao Hamas, suas divergências sobre os assentamentos na Cisjordânia e os parceiros de coalizão que poderiam atrair podem moldar trajetórias distintas para Israel.
A questão da criação de um Estado palestino independente é um ponto central de discórdia, com ambos os candidatos se opondo à sua concretização. Essa oposição reflete um deslocamento da política israelense para a direita, afastando-se da tradicional ‘solução de dois Estados’ que guiou negociações internacionais por décadas. As decisões sobre a expansão de assentamentos e o controle de segurança sobre o território entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo permanecem como pontos cruciais.
A análise das possíveis coalizões governamentais revela outro fator de diferenciação. A composição dos governos liderados por Netanyahu e Eisenkot tende a atrair parceiros com agendas ideológicas distintas, o que pode impactar diretamente a abordagem de Israel em relação aos territórios palestinos. Conforme informações divulgadas, as eleições podem não trazer uma mudança drástica na política geral, mas as nuances nas abordagens de cada candidato são significativas.
Assentamentos na Cisjordânia: Expansão sob Netanyahu, Lei sob Eisenkot
Sob a gestão de Benjamin Netanyahu, a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada tem sido acelerada, incluindo a criação de postos avançados em áreas onde a própria legislação israelense proíbe tais construções. Críticos apontam que essa política tem sido acompanhada por um aumento na violência de colonos contra palestinos, com o governo sendo acusado de inação.
Gadi Eisenkot, por outro lado, defende a conformidade dos assentamentos com a lei israelense. Ele se opõe a construções não autorizadas e a postos avançados em áreas proibidas, comprometendo-se a coibir a violência dos colonos. Sua oposição ao projeto de construção na área E1, que dividiria a Cisjordânia, visa evitar o isolamento da região de Jerusalém Oriental e, segundo colonos, “enterrar” a possibilidade de um Estado palestino.
Autogoverno Palestino e o Futuro de Gaza
Tanto Netanyahu quanto Eisenkot rejeitam a criação de um Estado palestino independente ao lado de Israel, mantendo o controle de segurança sobre todo o território entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo. Essa posição representa um afastamento da ‘solução de dois Estados’.
As diferenças residem na ênfase. A postura de Eisenkot sobre limitar assentamentos preservaria áreas de autogoverno civil palestino. Já a coalizão de Netanyahu inclui partidos que defendem a anexação total das terras palestinas ocupadas.
Em Gaza, ambos os candidatos afirmam que as tropas israelenses não se retirarão enquanto o Hamas não for desarmado. Eisenkot, contudo, propõe a substituição da administração do Hamas em até 18 meses, seja por meio de um plano mediado pelos EUA ou por ação militar, considerando a permanência do grupo um fracasso significativo.
Parceiros de Coalizão: O Impacto na Formação do Governo
A coalizão de Netanyahu inclui grupos nacionalistas judaicos de direita, como os liderados por Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, defensores da anexação palestina, e partidos ultraortodoxos que buscam isenção militar para estudantes religiosos.
Eisenkot, para formar um governo e destituir Netanyahu, provavelmente precisaria do apoio dos Democratas, grupo que inclui o centro-esquerda Partido Trabalhista e é o único partido judeu de destaque a defender a solução de dois Estados. A oposição à isenção militar para estudantes religiosos dificulta alianças com partidos ultraortodoxos.
Ambos os candidatos declararam que não formariam governo com partidos que representam majoritariamente cidadãos israelenses de ascendência palestina, que compõem cerca de um quinto da população do país.
