A aviação agrícola no Brasil enfrenta um cenário de custos em forte ascensão, impulsionado principalmente pela inflação galopante nos combustíveis. A gasolina de aviação, crucial para grande parte da frota, já acumula uma alta de 67,3%, enquanto o querosene de aviação registrou um aumento de 51,6%. Estes reajustes, diretamente ligados à instabilidade do mercado internacional de petróleo, geram um impacto significativo na cadeia produtiva de alimentos.
De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), a elevação nos preços dos combustíveis de aviação representa um aumento médio de cerca de 25% nos custos operacionais das empresas. Essa variação é considerada atípica e está muito acima do que seria um ambiente de custos estável para o setor, que é concentrado predominantemente no Centro-Oeste do país.
A volatilidade recente nos preços dos combustíveis, com uma reversão de deflação para alta de 6,75% em um curto período, reflete a complexidade do cenário internacional. Fatores como a alta de quase 58% no óleo de aquecimento e a instabilidade em rotas de petróleo como o Estreito de Ormuz intensificam a incerteza e dificultam o planejamento das operações aeroagrícolas no Brasil.
O economista Claudio Junior Oliveira, diretor operacional do Sindag, ressalta que o aumento é diretamente ligado ao cenário internacional, com destaque para a alta do óleo de aquecimento e a instabilidade no Estreito de Ormuz. Essa situação pressiona o planejamento do setor e pode afetar diretamente o preço dos alimentos e a balança comercial brasileira.
Gasolina de Aviação Lidera Aumento e Impacta Frota Principal
A gasolina de aviação, que representa 51% da frota aeroagrícola tripulada, registrou o maior aumento entre os combustíveis analisados. Com um preço médio atual de R$ 13,99, a alta de 67,3% impacta diretamente as operações que dependem deste tipo de aeronave. O querosene de aviação, por sua vez, abastece cerca de 30% das aeronaves com motores turboélice e teve um aumento de 51,6%, com preço médio de R$ 8,46.
Etanol Apresenta Maior Estabilidade Relativa
Em contrapartida, o etanol demonstrou uma maior estabilidade relativa, com um aumento médio de apenas 6,9% e um preço médio de R$ 4,31. Este biocombustível consolida 19% da aviação agrícola no país e surge como uma alternativa mais previsível dentro das operações em meio à volatilidade dos demais combustíveis.
Custos Operacionais e Sensibilidade da Produção Agrícola
A pesquisa do Sindag indica que o impacto nos custos operacionais relacionados a combustíveis para as empresas aeroagrícolas varia entre 14% e 40%, com uma média aproximada de 25%. Essa variação depende da frota utilizada e da região de operação. Cerca de 83% da produção agrícola brasileira está concentrada em oito estados, onde também se localiza 87% da frota aeroagrícola, evidenciando a alta sensibilidade do sistema produtivo a esses aumentos de custo.
Alternativas Sustentáveis e o Futuro dos Biocombustíveis
Em busca de alternativas mais sustentáveis, a Acelen Renovábais anunciou uma parceria para escalar a rastreabilidade da macaúba, matéria-prima estratégica para a produção de biocombustíveis. O projeto visa produzir 1 bilhão de litros de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO) a partir do óleo de macaúba. A cadeia da macaúba, apesar de ainda em estruturação, avança rapidamente como uma nova fronteira dos biocombustíveis, com alta produtividade de óleo e capacidade de desenvolvimento em terras degradadas, sem competir com culturas alimentares.