Tensão no Estreito de Ormuz e Críticas de Trump Marcam o 2º Dia do Cessar-Fogo entre EUA e Irã
O segundo dia do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi marcado por uma série de eventos tensos e declarações impactantes. Donald Trump, presidente dos EUA, emitiu um alerta direto à liderança iraniana, pedindo que não impusessem taxas aos petroleiros que cruzam o Estreito de Ormuz, criticando o tráfego paralisado na via e afirmando que o Irã estava “fazendo um trabalho muito ruim”.
A instabilidade do cessar-fogo já se mostra evidente para o setor de transporte marítimo, com empresas hesitantes em confiar na trégua sem diretrizes claras sobre quais navios podem navegar e quando. Conforme informaram dois diplomatas à CNN, Trump pressionou o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, por medidas urgentes da aliança para garantir a segurança do Estreito de Ormuz.
Em meio a essas movimentações, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta quinta-feira (9) seu desejo de iniciar negociações diretas com o Líbano sobre o desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento de relações pacíficas “o mais rápido possível”. Essa declaração surge um dia após bombardeios israelenses no Líbano, que resultaram na morte de mais de 300 pessoas, e antecede conversas agendadas entre Irã e Estados Unidos no Paquistão, após o acordo de cessar-fogo de duas semanas.
Ataques e Alertas na Região
O cenário no Oriente Médio permaneceu volátil. Kamal Kharazi, conselheiro do líder supremo do Irã, faleceu dias após ser ferido em um ataque que Teerã atribuiu a uma operação conjunta entre EUA e Israel. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, instou Israel a revogar a ordem de desocupação de dois hospitais em Beirute, considerando a medida “operacionalmente inviável”.
Adicionalmente, a Guarda Nacional do Kuwait relatou que uma de suas instalações foi alvo de “drones hostis”, causando danos materiais sem feridos. No exército israelense, a quinta-feira (9) foi marcada pelo lançamento de um míssil pelo Hezbollah contra Israel, acionando sirenes de alerta aéreo em diversas cidades, incluindo Tel Aviv. O míssil foi interceptado, segundo o Times of Israel.
Impacto na Produção de Petróleo e Pressão dos EUA
A agência estatal saudita SPA, citando uma fonte do Ministério da Energia, informou que os ataques a instalações energéticas da Arábia Saudita reduziram a capacidade de produção de petróleo do reino em cerca de 600 mil barris por dia e o fluxo em seu Oleoduto Leste-Oeste em aproximadamente 700 mil barris por dia. Embora a fonte não tenha especificado os responsáveis, a Arábia Saudita tem interceptado mísseis e drones iranianos nas últimas semanas.
Esses ataques também interromperam operações em importantes instalações de petróleo, gás, refino, petroquímica e eletricidade em diversas regiões sauditas. A Arábia Saudita não havia divulgado anteriormente detalhes sobre o impacto na produção e no fluxo de oleodutos decorrente dos ataques ocorridos durante o conflito.
Reações Internas nos EUA e Condenação a Ataques no Iraque
Nos Estados Unidos, Donald Trump utilizou as redes sociais para criticar comentaristas de direita que se opuseram à guerra com o Irã, classificando figuras como Tucker Carlson e Alex Jones de “pessoas estúpidas” e “malucos”. Paralelamente, um oficial americano convocou o embaixador do Iraque nos Estados Unidos para condenar os ataques de milícias apoiadas pelo Irã contra instalações diplomáticas e pessoal americano em território iraquiano.
Analistas do setor de transporte marítimo expressaram preocupação com a instabilidade do cessar-fogo, destacando a ausência de diretrizes claras para a navegação. A Otan, por sua vez, não foi informada previamente sobre planos de guerra entre EUA e Israel, mas Rutte afirmou que os aliados oferecem “apoio maciço” a Trump em relação ao Irã.