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Caso Henry Borel: Começa Julgamento de Dr. Jairinho e Monique Medeiros por Assassinato e Tortura

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Julgamento do Caso Henry Borel Inicia: Dr. Jairinho e Monique Medeiros Enfrentam a Justiça

A Justiça brasileira dá início, nesta segunda-feira (23), ao aguardado julgamento dos acusados pela trágica morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos. O Tribunal do Júri da capital fluminense será palco da sessão que busca respostas e justiça para o crime que comoveu o país em março de 2021.

Dr. Jairinho, ex-vereador e então padrasto de Henry, e Monique Medeiros, mãe da criança, são os réus no processo. Ambos respondem por acusações graves, incluindo homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. O caso, que completa cinco anos em 2026, é um dos mais emblemáticos acompanhados pela Justiça nos últimos anos.

O pai de Henry, Leniel Borel de Almeida, expressou a importância deste momento: “Não é só o nome do Henry que estará em julgamento. É o quanto o Brasil está disposto a proteger suas crianças”, afirmou. A expectativa é de que o julgamento, com a complexidade das acusações e o número de testemunhas, se estenda por vários dias, conforme apurado por Beto Souza e Vitor Bonets.

A Morte de Henry Borel e a Versão Inicial dos Acusados

Henry Borel faleceu na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde residia com sua mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Inicialmente, Monique Medeiros e Dr. Jairinho alegaram que a criança teria sofrido um acidente doméstico, caindo da cama.

Contudo, o laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) refutou veementemente essa hipótese. O exame identificou **23 lesões** espalhadas pelo corpo do menino, apontando a causa da morte como **hemorragia interna e laceração hepática**, provocadas por ação contundente. As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era submetido a uma rotina de agressões e torturas praticadas por Dr. Jairinho.

O inquérito também indicou que Monique Medeiros tinha conhecimento das violências. A babá da criança teria alertado a mãe sobre as agressões pelo menos um mês antes do óbito, mas, segundo a acusação, ela **consentiu com a situação**, configurando sua participação no crime.

O Que é o Tribunal do Júri e Como Funciona

O caso de Henry Borel será julgado pelo Tribunal do Júri, órgão responsável por processar crimes dolosos contra a vida, como o homicídio. Diferente de outros processos, a decisão final não recai apenas sobre um juiz, mas é tomada por um **Conselho de Sentença**, formado por sete cidadãos escolhidos para atuar como jurados.

Esses jurados acompanham todas as etapas do julgamento, ouvem testemunhas, analisam as provas apresentadas e, ao final, respondem a questionamentos feitos pelo juiz sobre a culpa ou inocência dos réus. A decisão é definida pela **maioria dos votos**.

O juiz que preside a sessão tem o papel de conduzir o julgamento, garantir que as regras processuais sejam seguidas e, em caso de condenação, definir a pena. Tanto o Ministério Público quanto a defesa dos acusados apresentarão suas versões dos fatos durante o júri. O Tribunal do Júri é um instrumento previsto na Constituição Federal e é **obrigatório em crimes contra a vida**.

Situação Atual dos Acusados e a Lei Henry Borel

Com o desenrolar do processo, Dr. Jairinho teve seu mandato de vereador cassado por quebra de decoro parlamentar e foi **impedido de exercer sua profissão de médico**. Desde a prisão em abril de 2021, ele permanece detido preventivamente. Vários pedidos de habeas corpus em seu favor foram negados pela Justiça, que argumenta a necessidade de **assegurar a ordem pública**.

Monique Medeiros, por sua vez, enfrentou um longo embate jurídico. Após obter o direito de responder em liberdade em 2022, ela retornou ao cárcere em julho de 2023, por determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em março de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) manteve sua prisão preventiva por unanimidade.

Em 2022, foi sancionada a **Lei Henry Borel**, um marco na proteção infantil. A lei tornou o **homicídio contra menores de 14 anos um crime hediondo**, aumentando as penas e estabelecendo medidas protetivas mais rigorosas para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.