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Arábia Saudita exposta: Série de erros de cálculo arrasta reino para conflito no Iêmen e abala planos ambiciosos

Arábia Saudita enfrenta turbulência regional após série de erros estratégicos que reacenderam o conflito no Iêmen e expuseram suas vulnerabilidades.

O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman vislumbrava a Arábia Saudita como um centro global de investimentos, turismo e eventos esportivos. No entanto, a realidade atual apresenta drones e mísseis Houthi atingindo cidades sauditas, arrastando o reino para uma instabilidade regional que ele buscava evitar.

A guerra civil no Iêmen, que parecia adormecida, ressurgiu com força no último mês, intensificando um conflito que a Arábia Saudita tenta conter há mais de uma década. Apesar dos esforços militares e diplomáticos, uma série de decisões equivocadas deixou Riad em uma posição exposta.

Especialistas apontam o fim da parceria com os Emirados Árabes Unidos, a má avaliação do apoio do então presidente Donald Trump e a dificuldade em coordenar facções iemenitas como fatores cruciais. Conforme informação divulgada pela CNN, esses erros de cálculo colocaram a Arábia Saudita em uma situação delicada, forçando o lançamento da operação “Alvorada do Iêmen” para tentar retomar o controle.

Ruptura com Emirados Árabes Unidos e vácuo de poder

O rompimento da aliança de uma década com os Emirados Árabes Unidos, ocorrido no final do ano passado após um ataque saudita a um carregamento militar dos Emirados no Iêmen, foi um golpe significativo. Essa separação deixou a Arábia Saudita isolada na gestão da crise, com as forças de Abu Dhabi se retirando.

A saída dos Emirados criou um vácuo de poder no Iêmen, que, segundo autoridades locais anônimas citadas pela CNN, não foi adequadamente preenchido pelos sauditas. A eficiência do sistema de comando e controle emiratense não foi replicada, deixando combatentes aliados desorientados e a estratégia saudita fragilizada.

Dependência de Trump e a imprevisibilidade americana

Outro erro estratégico apontado por analistas foi a excessiva dependência da Arábia Saudita no apoio contínuo dos Estados Unidos, especialmente sob a administração de Donald Trump. Apesar de acordos de defesa, Riad sentiu-se decepcionada com o que percebeu como um comprometimento americano decrescente.

O príncipe Mohammed bin Salman chegou a pedir diretamente a Trump que atacasse os Houthis, mas o pedido foi recusado. Washington, na época, buscava preservar seu próprio cessar-fogo com o grupo, deixando a Arábia Saudita se sentindo exposta à imprevisibilidade do então presidente americano, segundo Michael Ratney, ex-embaixador dos EUA.

Impacto na economia e eventos sauditas

A escalada do conflito no Iêmen já afeta a Arábia Saudita diretamente. Ataques Houthi a aeroportos resultaram em mortes, incluindo a de um piloto saudita. A instabilidade regional forçou a suspensão de festivais de cinema, cerimônias de premiação e shows musicais, além de colocar em xeque a principal conferência financeira do reino.

A infraestrutura petrolífera do reino também foi alvo, com ataques a instalações e oleodutos, provocando interrupções no fornecimento de petróleo bruto e uma forte alta nos preços internacionais. Especialistas como Ahmed Nagi, do International Crisis Group, alertam que a falta de preparação saudita para uma ofensiva Houthi e a ausência de coordenação com aliados iemenitas representam desafios significativos.

Busca por novas parcerias e um futuro incerto

Diante desse cenário, a Arábia Saudita tem buscado fortalecer laços com outros países, incluindo Egito, França, Reino Unido, Turquia e Paquistão. O país também tenta reaquecer relações com os Emirados Árabes Unidos, com forças leais a Abu Dhabi parecendo participar da ofensiva saudita.

No entanto, a resolução do conflito no Iêmen permanece complexa. Especialistas apontam que a disputa regional está intrinsecamente ligada ao conflito entre os EUA e o Irã. Enquanto essa tensão persistir, o Irã terá incentivos para apoiar os Houthis na desestabilização da Arábia Saudita.

A busca por uma saída “imperfeita” para o conflito, como descreve Ratney, exige que os sauditas unifiquem centros de comando, resolvam divergências entre facções aliadas e garantam a manutenção do controle sobre áreas recuperadas. A capacidade de manter essa organização e respaldo regional será crucial para o futuro da Arábia Saudita e sua ambição de se tornar um polo de influência global.