Ansiedade infantil: o que pais e cuidadores precisam saber sobre os primeiros sinais e riscos de evolução
A ansiedade na infância é um tema de extrema importância, pois a maioria dos transtornos de ansiedade tem seu início nos primeiros anos de vida. Sem o devido acompanhamento, esses quadros podem se agravar e evoluir para manifestações mais complexas ao longo do desenvolvimento. Especialistas compartilharam informações valiosas sobre o assunto no programa CNN Sinais Vitais, destacando os indícios e fatores envolvidos.
O psiquiatra Márcio Bernik, chefe do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas da USP, explica que, frequentemente, os transtornos de ansiedade na infância se manifestam através de fobias. Essas fobias podem ser um prenúncio de quadros mais sérios no futuro, como crises de pânico na adolescência ou preocupações excessivas em idades mais avançadas.
É fundamental entender que nem todo medo na infância é um transtorno. Bernik ressalta que certas fobias são transitórias e desaparecem com o tempo, sendo parte do processo natural de exploração do mundo pela criança. Um certo grau de ansiedade é, inclusive, um mecanismo de sobrevivência, ajudando a criança a identificar e evitar perigos.
O papel da genética no transtorno de pânico
Embora não seja o transtorno de ansiedade mais comum, o transtorno de pânico se destaca por sua forte influência genética. Bernik aponta que cerca de 70% da variância relacionada à probabilidade de desenvolver a doença tem origem genética. “Quem vai ter pânico são os filhos dos nossos pacientes com pânico”, afirma o psiquiatra, classificando o transtorno de pânico como um dos mais geneticamente determinados na psiquiatria.
Para ilustrar a frequência com que o transtorno de pânico aparece, Bernik relatou uma experiência em um pronto-socorro. Em apenas um mês, ele e um colega identificaram 140 pacientes que buscavam atendimento com sensação de morte iminente, mas que apresentavam eletrocardiogramas normais, um sintoma clássico do transtorno.
Como o pensamento ansioso consome o indivíduo
A neuropsicóloga Maria Alice Fontes detalha como o padrão de pensamento ansioso impacta a vida das pessoas. Indivíduos com ansiedade tendem a focar no pior evento possível, desenvolvendo um pensamento do tipo “tudo ou nada”. “Ela começa a ser consumida por esses pensamentos negativos de algo ruim que vai acontecer e a previsibilidade dela fica focada no pior desfecho”, explica Fontes.
Esse estado mental pode desencadear sintomas físicos intensos, como taquicardia, sudorese e a sensação de que os pensamentos fogem do controle. Em vez de seguir a rotina normalmente, a pessoa passa a dedicar muita energia mental para identificar potenciais problemas, o que compromete significativamente sua qualidade de vida e bem-estar.
Identificando a ansiedade em crianças: um guia para pais
É crucial que pais e cuidadores estejam atentos aos sinais de ansiedade em crianças. Medos persistentes e desproporcionais a situações cotidianas, dificuldade em se separar dos pais, preocupações excessivas com o futuro ou com eventos negativos, e queixas físicas frequentes sem causa aparente podem ser indicativos. O desenvolvimento de fobias específicas, como medo de escuro, de animais ou de situações sociais, também merece atenção.
A orientação de um profissional de saúde mental é fundamental para diferenciar medos normais do desenvolvimento infantil de transtornos de ansiedade. Um diagnóstico precoce e intervenções adequadas podem prevenir o agravamento dos sintomas e garantir um desenvolvimento mais saudável para a criança, evitando que a ansiedade infantil se transforme em problemas mais sérios na vida adulta.