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Alerta de Economista: Estímulo ao Consumo Pode Segurar Inflação Alta e Interromper Cortes de Juros, Diz Rafaela Vitoria

Risco fiscal e excesso de gastos do governo podem manter a inflação elevada, alertam especialistas

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, embora esperada, trouxe consigo um comunicado mais detalhado que gerou debates. A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, avaliou os pontos levantados pelo Copom em entrevista à CNN Prime Time, destacando que a quantidade de informações pode, paradoxalmente, aumentar a incerteza no mercado.

Segundo Rafaela Vitoria, a inclusão do risco fiscal no balanço de riscos do comunicado do Copom é um sinal relevante. Ela aponta que os gastos do governo federal, que cresceram mais de 14% acima da inflação nos primeiros meses do ano, têm um papel direto no aquecimento da demanda e do consumo.

“O governo vem trazendo novos programas, medidas de crédito subsidiado, e isso tem um risco de estimular ainda mais a demanda e manter essa inflação mais alta”, alertou a economista. Para Vitoria, ao reincorporar o risco fiscal, o Copom já sinaliza um possível obstáculo para a continuidade do ciclo de cortes nos juros. O estímulo prolongado ao consumo, se mantido, pode levar a uma inflação persistente, forçando uma pausa no afrouxamento monetário.

El Niño e o impacto na inflação de serviços

O comunicado do Banco Central também mencionou o fenômeno El Niño como um fator de risco, com potencial de afetar a produção de alimentos. Contudo, Rafaela Vitoria ressalta que a inflação de alimentos e combustíveis é mais volátil. O foco do Copom, segundo ela, tende a ser o reflexo desses choques na inflação de serviços, que é menos volátil e mais sensível à demanda interna.

A economista pondera que o impacto mais significativo do El Niño sobre os preços de alimentos pode ser sentido mais para o final do ano, com reflexos na inflação de 2027. Portanto, a principal preocupação atual permanece sendo a forte demanda interna, impulsionada por políticas governamentais.

Juros nos EUA e o efeito cascata no Brasil

Questionada sobre a possibilidade de uma alta de juros nos Estados Unidos, um cenário ainda não totalmente precificado pelo mercado, Rafaela Vitoria explica que o impacto no Brasil seria indireto, principalmente através da taxa de câmbio. Uma alta nos juros americanos tende a atrair capital estrangeiro, provocando uma fuga de investidores de mercados emergentes como o Brasil.

“O principal fator que resulta de uma eventual alta de juros nos Estados Unidos é uma fuga de investidores”, afirmou Vitoria. Essa saída de capital pode pressionar o dólar, tornando as importações mais caras e, consequentemente, impactando a inflação doméstica.

O dilema entre estimular a economia e controlar a inflação

O cenário atual apresenta um desafio complexo para a política econômica brasileira. De um lado, há a necessidade de estimular o crescimento e o consumo, especialmente após períodos de desaceleração. De outro, a pressão inflacionária exige cautela e, possivelmente, a manutenção de juros mais altos por mais tempo.

A análise de Rafaela Vitoria sugere que as ações do governo em termos de gastos e programas de crédito podem ser um fator determinante para o futuro da inflação e da taxa de juros. A persistência de uma demanda aquecida, alimentada por esses estímulos, pode minar os esforços do Banco Central para alcançar suas metas de inflação.

Incerteza e a comunicação do Copom

A economista-chefe do Inter também comentou sobre a comunicação do Copom, que, ao apresentar simulações de cenários, pode acabar gerando mais dúvidas do que clareza. Essa elaboração maior nos comunicados, segundo Vitoria, abre margem para diferentes interpretações, o que não contribui para a previsibilidade da política monetária.

A expectativa é que o mercado continue atento aos próximos passos do Copom e às reações da economia aos estímulos fiscais e à política monetária, buscando entender como esses fatores se equilibrarão para definir o rumo da inflação e dos juros no país.

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