Marinha dos EUA desafia reivindicações chinesas ao cruzar Estreito de Taiwan, gerando monitoramento de Pequim.
Uma aeronave de patrulha e reconhecimento P-8A Poseidon, da Marinha dos Estados Unidos, realizou um trânsito pelo Estreito de Taiwan em espaço aéreo internacional, nesta sexta-feira (21). A ação foi comunicada pela 7ª Frota americana como uma demonstração de compromisso com um “Indo-Pacífico livre e aberto”.
As forças armadas chinesas, por sua vez, informaram ter rastreado e monitorado a aeronave durante todo o percurso. Segundo o jornal estatal Global Times, citando uma fonte militar, a situação permaneceu “sob controle”, indicando a vigilância constante de Pequim sobre as movimentações na região.
Essas passagens de navios ou aeronaves militares dos EUA pelo canal que separa Taiwan da China ocorrem a cada poucos meses, e frequentemente causam irritação em Pequim. A China considera Taiwan, governada democraticamente, como seu território, enquanto os Estados Unidos e Taiwan defendem que o estreito é uma via navegável internacional.
Tensão crescente e diplomacia em jogo
A China tem reiterado que a questão de Taiwan é um assunto interno e uma “linha vermelha” que não deve ser desrespeitada. O governo taiwanês, por outro lado, rejeita as reivindicações de soberania chinesa, afirmando que somente o povo de Taiwan pode decidir seu próprio futuro.
EUA reafirmam liberdade de navegação e operação internacional
Em comunicado, a 7ª Frota dos EUA declarou que, ao operar no Estreito de Taiwan em conformidade com o direito internacional, os Estados Unidos defendem os direitos e liberdades de navegação para todas as nações. A força naval americana ressaltou que suas operações ocorrem “onde quer que o direito internacional permita”, reforçando a posição de Washington sobre a liberdade de trânsito na região.
Contexto de negociações entre EUA e China
A ação ocorre em um momento delicado nas relações entre Estados Unidos e China. Espera-se que o presidente chinês, Xi Jinping, visite os EUA no próximo mês para um encontro com o presidente americano Donald Trump. Ambos os países buscam estabilizar laços que têm sido afetados por divergências em temas como Taiwan, disputas comerciais e restrições tecnológicas.
A passagem da aeronave pelo Estreito de Taiwan, portanto, ganha um peso diplomático adicional, servindo como um lembrete das tensões existentes e da complexidade das negociações em curso entre as duas potências globais.