Abelardo de la Espriella: O Advogado “Outsider” da Ultra-Direita que Promete “Autoridade e Espetáculo” na Colômbia
Em uma ascensão meteórica, Abelardo de la Espriella, de 47 anos, deixou de ser um advogado polêmico e com forte presença na mídia para se tornar um candidato à Presidência da Colômbia com projeções significativas de vitória. Sua plataforma se baseia em uma mensagem clara e direta: a imposição de autoridade, capitalizando a frustração popular com os partidos tradicionais.
De la Espriella se apresenta como o rosto de uma direita radical e em constante evolução, que adota uma postura de “outsider” e promove uma campanha de grande espetáculo. Ele se posiciona como o principal rival do candidato governista de esquerda, Iván Cepeda, explorando a polarização como estratégia central.
Com um discurso carismático, firme e provocativo, o candidato se autodenomina um empresário de sucesso, apreciador da “alta cultura” e do bom gosto. Sua trajetória, no entanto, é marcada por controvérsias, incluindo processos contra jornalistas e acusações de sexismo, além de se declarar o “maior inimigo do comunismo”. Conforme informações divulgadas, sua estratégia tem funcionado, posicionando-o como o extremo oposto para contrapor o candidato de esquerda.
A Trajetória de um “Tigre” Político
Abelardo de la Espriella, que se autodenomina “O Tigre”, iniciou seu ímpeto político com o lançamento de sua candidatura pelo movimento “Defensores da Pátria” no final de 2025. Sua entrada na corrida presidencial foi marcada pela retórica da ultra-direita e por propostas populistas, prometendo interromper a continuidade do projeto político do atual presidente Gustavo Petro. Sua estratégia de polarização o alçou rapidamente ao segundo lugar nas pesquisas, atrás apenas de Iván Cepeda, consolidando-se como o principal nome da oposição.
O candidato, que não possui filiação partidária, tem se declarado aberto a receber apoio de diversos setores políticos, com exceção daqueles alinhados a Petro. Ele afirma ter sido inspirado pelo “alarme gerado pela fraude eleitoral na Venezuela em 29 de julho de 2014” e busca evitar “o risco de um governo que ameace nossas liberdades fundamentais ou tente se perpetuar no poder”.
Sua admiração por líderes de direita na região, como Donald Trump, e comparações com Nayib Bukele, presidente de El Salvador, evidenciam seu alinhamento ideológico. De la Espriella elogiou o sistema prisional salvadorenho e promete a construção de mega prisões de alta segurança em seu governo. Ele nunca ocupou um cargo público, apresentando essa falta de vínculo com o “establishment” como prova de ser o “verdadeiro outsider”.
O “Outsider” que Admiram o Legado Uribista
De la Espriella se apresenta como um admirador do legado de Álvaro Uribe, propondo uma política de “tolerância zero” contra a corrupção, assim como o ex-presidente colombiano. Ele busca ser o rosto da nova direita na Colômbia, liderando o chamado “pós-Uribe”. Nascido em Bogotá em 1978 e criado em Montería, é formado em Direito e fundou o escritório De la Espriella Lawyers em 2002, com atuação em casos de difamação, extorsão e processos criminais.
Sua carreira jurídica inclui a defesa de figuras controversas como Álex Saab, suposto testa de ferro de Nicolás Maduro, e David Murcia Guzmán, condenado por lavagem de dinheiro. Esses laços atraíram críticas, embora o advogado negue ligações pessoais. Paralelamente, representou vítimas emblemáticas de violência de gênero, impulsionando leis importantes no país.
De la Espriella também desenvolveu marcas próprias, gravou álbuns como cantor e projetou uma imagem de “dândi cosmopolita”, com residências na Itália e nos Estados Unidos. Ele lançou o movimento “Defensores da Pátria” em julho de 2025, baseado em ideais nacionalistas conservadores. Apesar de se declarar ateu anteriormente, sua campanha defende valores religiosos e a “causa cristã” como prioridade, afirmando ter “encontrado Deus” nos últimos anos.
Segurança e “Paz Imposta”: Pilares da Campanha
O tema central da campanha de De la Espriella é a segurança. Ele propõe reativar a fumigação aérea contra plantações ilícitas, usar o poder militar para atacar grupos criminosos, renovar alianças estratégicas com EUA e Israel para equipar o Exército, proibir a importação de insumos para fentanil (o “Plano Colômbia 2.0”) e criar um bloco de busca para capturar líderes de quadrilhas de extorsão. Ele defende que “a paz não é negociada, é imposta”, contradizendo sua posição anterior em 2012 sobre o processo de paz com as FARC.
Em suas declarações, propôs a pena de morte para assassinos de crianças, manifestou-se contra o aborto e se declarou defensor da “família tradicional”. No campo econômico, propõe reduzir a carga tributária e o tamanho do Estado, além de assinar novos contratos de exploração de petróleo, em contraposição a Petro. Ele também se opõe a manter relações diplomáticas com o governo venezuelano de Delcy Rodríguez até que haja eleições democráticas.
A Direita Fragmentada e o Poder da Controvérsia
Abelardo de la Espriella formalizou sua candidatura com 4,8 milhões de assinaturas, capitalizando o cenário de fragmentação da direita. Após o assassinato de Miguel Uribe Turbay e erros do partido Centro Democrático, ele emergiu como a principal voz anti-Petro. O apoio de grupos como o Movimento de Salvação Nacional e o Creemos, liderado por Federico “Fico” Gutiérrez, fortaleceu sua posição.
Embora Álvaro Uribe não o apoie abertamente, é esperado que seus seguidores o façam em um eventual segundo turno contra Cepeda. O ex-presidente já declarou que, caso sua candidata, Paloma Valencia, não avance, ele e o Centro Democrático apoiarão De la Espriella.
O histórico de ações judiciais contra jornalistas é um ponto de destaque. A campanha de De la Espriella moveu um processo contra a colunista Ana Bejarano, o que, segundo a Fundação para a Liberdade de Imprensa, reforça um padrão de pressão judicial para induzir à autocensura. Entre 2008 e 2019, ele apresentou 109 denúncias por difamação e calúnia, muitas arquivadas. A Associação Interamericana de Imprensa criticou o uso do sistema judicial, alegando que busca “punir e silenciar vozes críticas”.
Além disso, suas interações com jornalistas mulheres foram alvo de críticas, com relatos de atitudes sexistas e condescendentes. Em uma ocasião, mostrou uma foto sugestiva em seu celular a uma jornalista, gerando comentários de cunho sexual, pelo qual o candidato posteriormente se desculpou. Contudo, essas controvérsias parecem não afetar seus índices de aprovação, demonstrando que, para De la Espriella, “não existe publicidade ruim”, pois tudo se soma à projeção de sua imagem de força, autoridade e espetáculo.