Nova composição do Congresso americano deve facilitar apoio à Ucrânia e conter envolvimento americano no Irã, na América Latina e em Israel.
Nas eleições de meio de mandato (Midterms) realizadas na terça-feira (3), os democratas conquistaram o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Essa vitória em Washington, D.C., encerra dois anos de domínio republicano e confere aos democratas um poder significativo para influenciar a política externa do país.
Durante a campanha eleitoral, os democratas criticaram o que consideraram uma cessão de prerrogativas constitucionais do Congresso ao governo do presidente Donald Trump, especialmente em relação à declaração de guerra e aos gastos públicos. Agora, com a nova configuração do Legislativo, espera-se que eles busquem reverter essa tendência e limitar esses poderes.
As mudanças podem ter repercussões globais, impactando desde o apoio à Ucrânia até as relações com o Irã, Israel e países da América Latina. Essa nova dinâmica de poder em Washington promete moldar a forma como os Estados Unidos interagem com o mundo nos próximos anos, conforme informação divulgada em análise jornalística.
Contenção da Guerra contra o Irã e Restauração do Apoio à Ucrânia
Uma das áreas de potencial mudança é a política em relação ao Irã. O governo Trump iniciou uma ação militar ao lado de Israel sem a aprovação prévia do Congresso, uma decisão que os democratas repetidamente votaram contra, defendendo a necessidade de autorização legislativa. Agora, com o controle de ambas as casas, os democratas podem pressionar o presidente a obter permissão do Congresso para dar continuidade a conflitos, inclusive através do corte de gastos com defesa ou do bloqueio de nomeações.
No que diz respeito à Ucrânia, Trump havia suspendido em grande parte a ajuda financeira e militar direta, apesar do amplo apoio do Congresso a esse auxílio. Os democratas, com o controle do Legislativo, poderão definir a pauta de votações e aprovar novos pacotes de ajuda à Ucrânia. Essa assistência às forças ucranianas é considerada uma prioridade por assessores democratas, e o apoio histórico a essa causa, inclusive por parte de republicanos, pode formar maiorias amplas o suficiente para derrubar um eventual veto presidencial.
Reavaliação do Apoio a Israel e Limitação de Gastos Militares
O apoio a Israel também pode sofrer alterações. O apoio democrata ao país diminuiu devido à conduta em conflitos recentes e à estreita aliança do primeiro-ministro israelense com os republicanos. Os democratas podem agora considerar limitar ou até mesmo encerrar a ajuda militar a Israel, que historicamente inclui uma base anual de US$ 3,8 bilhões, além de bilhões adicionais liberados após os ataques de outubro de 2023. No passado, uma parcela significativa dos democratas na Câmara dos Representantes já votou pelo corte dessa ajuda, e alguns defenderam a imposição de limites ao fornecimento de armamentos.
Os democratas também são mais propensos a defender a limitação dos gastos militares, especialmente em contrapartida a propostas de aumento orçamentário sem consulta ao Congresso e a cortes em programas sociais. Trump, em seu mandato, reteve ou cancelou bilhões de dólares em ajuda externa aprovada pelo Congresso, medida que gerou indignação entre democratas que buscam restaurar esse financiamento, historicamente apoiado por ambos os partidos.
Maior Escrutínio sobre a Política na América Latina
A política dos Estados Unidos para a América Latina também pode passar por um escrutínio mais rigoroso. Trump adotou uma postura mais agressiva na região, com ações como a articulação para a destituição do presidente da Venezuela e sanções contra Cuba, chegando a ameaçar intervenção militar. O governo americano também buscou influenciar eleições em países como Honduras, Argentina, Colômbia e Brasil.
Alguns democratas já pediram investigações e audiências sobre as ações de Trump na Venezuela e denunciaram sanções consideradas cruéis contra civis em Cuba, defendendo o fim do envolvimento em eleições estrangeiras. Com o novo Congresso, espera-se que essas questões ganhem mais destaque e que haja uma revisão das políticas adotadas na região.
