O que é um tufão e por que ele se tornou tão recorrente na Ásia?
A China foi atingida pelo Tufão Dolphin, o fenômeno meteorológico mais forte a atingir o país este ano. As chuvas torrenciais e tempestades associadas ao tufão causaram inundações em diversas províncias do leste chinês, afetando cidades como Xangai, onde cerca de 40% dos voos foram suspensos devido às condições climáticas adversas.
O Dolphin, que apresentava ventos máximos sustentados de 151 km/h perto de seu centro ao tocar a costa da província de Zhejiang, deve avançar para o interior do país, impactando outras regiões com sua força. As nuvens remanescentes do sistema continuam a despejar grandes volumes de água em províncias como Anhui, Jiangsu e Shandong.
Um tufão é, na verdade, um ciclone tropical intenso. Essa é a mesma denominação dada a sistemas como os furacões, mas com variações geográficas na nomenclatura. Segundo explica Ricardo de Camargo, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), o termo ‘tufão’ é utilizado para sistemas que se formam no Pacífico Noroeste, área próxima a países como Japão, China e Filipinas.
A Ciência por Trás dos Ciclones Tropicais
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o nome ‘furacão’ é reservado para ciclones tropicais que se formam no Atlântico Norte, Pacífico Central Norte e Pacífico Nordeste. Já nos oceanos Índico e Pacífico Sul, o mesmo fenômeno é conhecido simplesmente como ciclone tropical.
Esses sistemas são verdadeiras máquinas térmicas que retiram energia dos oceanos e a transferem para a atmosfera. O processo se inicia com a formação de uma zona de baixa pressão sobre águas oceânicas quentes, geralmente com temperatura superior a 26,5°C. Essa instabilidade gera tempestades circulares, acompanhadas de chuvas intensas e ventos extremamente fortes.
Escalas de Medição e Impacto dos Tufões
A força de um ciclone tropical é classificada a partir de ventos sustentados. Quando esses ventos atingem aproximadamente 119 km/h, o sistema passa a ser oficialmente classificado como furacão ou tufão. A Escala Saffir-Simpson é a ferramenta utilizada para categorizar esses fenômenos, dividida em cinco níveis de acordo com a velocidade dos ventos e o potencial destrutivo.
Além da Escala Saffir-Simpson, meteorologistas também empregam a Escala Beaufort para descrever a intensidade dos ventos com base nos efeitos observados em terra e no mar. A recorrência e a intensidade desses fenômenos na Ásia têm gerado preocupação, destacando a importância de monitoramento e preparação para desastres naturais.
O Tufão Dolphin, ao atingir a costa chinesa, exemplifica a força destrutiva desses ciclones tropicais, que podem ter centenas de quilômetros de diâmetro e permanecer ativos por vários dias, causando impactos significativos nas regiões afetadas.