Guerra contra o Irã: Trump corre riscos com estratégia militar, aponta especialista
A disposição da Casa Branca em assumir riscos em operações militares, especialmente após ações recentes contra a Venezuela e o Irã, é um motivo de preocupação. Essa avaliação é de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia.
Garman analisa que, embora a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã possa não ter um impacto duradouro na economia global, ela demonstra um Donald Trump “embalado” por sucessos militares recentes.
“A Casa Branca saiu de uma operação militar na Venezuela muito bem-sucedida, então houve um diagnóstico de que talvez um ataque no Irã poderia gerar um resultado semelhante”, afirma o diretor-executivo da Eurasia, conforme informações divulgadas.
Venezuela e Irã: Diferenças Cruciais Ignoradas
No entanto, a análise de Garman destaca que Caracas e Teerã são realidades muito distintas. No caso da Venezuela, Trump obteve uma rápida colaboração do governo após a retirada do ex-ditador Nicolas Maduro, recebendo elogios da nova presidente, Delcy Gonzales.
Com o Irã, a posição de Trump tem sido mais volátil. Inicialmente, o presidente dos EUA expressou desejo por uma mudança de regime, com o povo iraniano tomando o poder. Posteriormente, ele indicou estar em negociações com a liderança restante e envolvido na escolha do próximo Líder Supremo.
“A liderança iraniana é muito mais ideológica”, explica Garman. “O governo americano está lidando com um regime muito mais difícil de se curvar às demandas dos EUA.” O especialista ressalta que, ao contrário da Venezuela, o Irã tem reagido aos ataques americanos, concentrando-se em bombardear aliados de Washington na região.
Riscos Econômicos e o Fechamento do Estreito de Ormuz
“O grande risco não é só que podemos ter uma interrupção no comércio do petróleo, mas também danos para os portos e infraestruturas de produção do combustível que podem demorar para serem recuperados”, adverte Garman.
Como resposta direta aos ataques americanos, o Irã fechou o Estreito de Ormuz, uma rota vital por onde passa cerca de **30% do petróleo comercializado no mundo**. Desde o início de setembro, poucas embarcações têm conseguido cruzar a passagem estratégica.
O fechamento do estreito, segundo a análise, era um cenário previsto. Contudo, o governo americano não teria montado um planejamento eficaz para evitar ou mitigar os danos decorrentes dessa ação iraniana.
Impacto Econômico Global e a Duração do Conflito
Apesar das tensões, Garman avalia que os impactos econômicos da guerra contra o Irã tendem a ser de curta duração. A expectativa é que o conflito possa se encerrar nas próximas duas ou três semanas, devido aos **graves danos à operação militar iraniana**.
“A capacidade do regime iraniano de reagir está diminuindo”, conclui o especialista, indicando uma possível resolução rápida do conflito, embora os riscos estratégicos e econômicos de curto prazo permaneçam elevados.