Tarcísio e Haddad trocam acusações sobre segurança, privatizações e apoio a Lula e Bolsonaro em debate acirrado
Em um debate eletrizante na TV Globo, o último antes do primeiro turno das eleições para o governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) protagonizaram intensas discussões. Os candidatos abordaram temas cruciais como segurança pública, saúde, contas públicas, educação e transporte, com ataques diretos envolvendo os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), presidenciáveis em 2022.
A disputa pelo Palácio dos Bandeirantes revelou as profundas divergências ideológicas e estratégicas dos candidatos, que buscaram consolidar suas bases eleitorais e conquistar votos indecisos. A influência das campanhas presidenciais foi notória, com ambos os postulantes utilizando o debate para reforçar seus alinhamentos e criticar as propostas e o histórico de seus adversários.
A segurança pública, com foco na atuação contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), e a política de privatizações foram temas centrais, evidenciando as diferentes visões sobre como gerir o estado. O debate, que durou quatro blocos, serviu como um palco final para que os eleitores pudessem comparar as propostas e o estilo dos dois principais concorrentes ao governo paulista, conforme apurado em reportagem do g1.
Segurança em Foco: PCC, Cracolândia e Operações Policiais
O primeiro bloco do debate foi marcado pela segurança pública. Haddad questionou Tarcísio sobre a presença de facções criminosas no estado, enquanto o governador destacou a realização de operações contra o PCC e a redução de indicadores criminais. Tarcísio afirmou que criminosos estão presos devido ao trabalho policial e que o combate ao crime continuará com firmeza. Ele também mencionou ações na Cracolândia e a realização de concursos para reforçar as corporações.
Haddad, por sua vez, citou um suposto sucateamento das forças policiais. Tarcísio reconheceu desafios, mas atribuiu parte deles a questões nacionais, ressaltando os concursos promovidos. A discussão também envolveu a Operação Carbono Oculto, com Haddad defendendo a integração entre governos e Tarcísio enfatizando a atuação estadual.
Debate Fiscal e Nacionalização das Contas Públicas
O segundo bloco abordou as contas públicas e a economia. Haddad questionou Tarcísio sobre a transparência em incentivos fiscais. O governador afirmou que sua gestão cortou benefícios sem sentido e passou a divulgar informações, citando a Nota Fiscal Paulista. Tarcísio também criticou Haddad sobre propostas para mães atípicas e a falta de profissionais de apoio escolar, chamando o petista de “Pinóquio”.
Ao discutir a situação fiscal, Tarcísio defendeu o ajuste nas contas públicas. Haddad contrapôs, mencionando o pagamento federal de precatórios e os efeitos da taxa de juros, e questionou se Tarcísio pretendia replicar a política econômica de Javier Milei na Argentina. Tarcísio acusou a União de descumprir o arcabouço fiscal, o que chamou de “negacionismo fiscal”. Haddad apontou déficit orçamentário, mas Tarcísio rebateu com superávit e redução da dívida estadual.
Transporte, Educação e Privatizações em Pauta
No terceiro bloco, transporte e educação foram os temas centrais. Tarcísio destacou avanços em linhas de metrô e trens metropolitanos. Haddad atribuiu parte das obras a financiamento federal do PAC, abandonado durante o governo Bolsonaro, e defendeu um bilhete integrado para diferentes regiões. Tarcísio mencionou a retomada de obras interrompidas por corrupção.
A divergência sobre privatizações foi marcante. Haddad classificou o processo como “desenfreado”, enquanto Tarcísio defendeu que privatizações visam melhorar o serviço. Na educação, Haddad citou queda no Ideb paulista, e Tarcísio destacou ações de alfabetização e melhora no Pisa. Tarcísio acusou Haddad de não cumprir promessas na prefeitura, e Haddad respondeu sobre a criação de vagas na educação infantil. Tarcísio defendeu o ensino técnico, enquanto Haddad propôs reforma do Ensino Médio.
Considerações Finais: Alinhamentos Presidenciais e Legado
No último bloco, Tarcísio abordou resiliência hídrica e criticou a privatização da Sabesp, defendendo investimentos em saneamento. Haddad mencionou ações federais e citou mortes associadas a obras da Sabesp. Em habitação, Haddad citou o Minha Casa, Minha Vida, e Tarcísio exaltou o atual prefeito de São Paulo. Nas considerações finais, ambos reforçaram seus apoios presidenciais: Tarcísio a Flávio Bolsonaro e Haddad a Lula, encerrando um debate que delineou os caminhos distintos para o futuro de São Paulo.
