Tarcísio de Freitas revela que aconselhou Flávio Bolsonaro a permanecer no Brasil após derrota eleitoral e critica medida de entrega de passaportes
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em entrevista ao Estadão que orientou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a ficar no Brasil após a eleição presidencial. Segundo Tarcísio, a recomendação foi dada em uma reunião com advogados e integrantes da campanha, incluindo o senador Rogério Marinho (PL-RN).
A orientação era que Flávio Bolsonaro utilizasse os mecanismos legais previstos na legislação eleitoral para contestar o resultado, em vez de rejeitá-lo. Tarcísio ressaltou que quaisquer alegações de abuso de poder deveriam ser apresentadas à Justiça por meio de ações específicas.
“O conselho que nós demos a ele foi que ficasse”, relatou Tarcísio, explicando que a discussão ocorreu em um momento em que se debatia a mensagem a ser enviada à nação, como a gravação de um vídeo. Conforme o governador, a ideia era focar em recursos como a cassação da chapa, algo considerado normal no processo eleitoral, e não em deslegitimar o resultado das urnas.
Defesa da permanência e críticas à PF
Apesar de ter defendido a permanência de Flávio Bolsonaro no país, Tarcísio evitou julgar a decisão tomada pelo senador. Ele mencionou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que se encontra preso, como um fator que poderia influenciar a decisão do filho. Tarcísio também criticou a exigência da entrega dos passaportes de Flávio, classificando-a como um ato de “intimidação”.
“Uma pessoa que acabou de conquistar 60 milhões de votos, minutos depois da proclamação do resultado, já está sendo ali admoestado pela Polícia Federal, mas com que base? Essa é a pergunta”, questionou o governador, demonstrando sua insatisfação com a medida.
Respeito às urnas e atuação institucional
Em outro momento da entrevista, Tarcísio defendeu o respeito ao resultado eleitoral, especialmente após a divulgação de uma carta em que Flávio Bolsonaro se apresentou como presidente eleito e alegou fraude sem apresentar provas. Posteriormente, o senador alterou o documento para se definir como líder do Brasil.
O governador paulista declarou compreender a indignação do aliado, mas reiterou a importância de que a oposição fiscalize o governo e exerça suas funções dentro das instituições democráticas. Ele enfatizou a necessidade de manter a atuação dentro do marco legal e institucional do país.
Saída do país e investigações
Flávio Bolsonaro deixou o país contrariando uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibia sua saída e exigia a entrega de seus passaportes. Essa ordem foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, alegações que o senador nega.
No segundo turno das eleições presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos (48,21%). A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, assegurou que a prorrogação da votação em algumas seções não comprometeu a integridade do processo eleitoral. “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou o ministro após a divulgação do resultado.
