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Supermarço da infraestrutura testa apetite do mercado com 14 leilões na B3, Galeão em nova disputa, PPPs de saneamento e rodovias prontos para R$ 41 bilhões

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Março será um mês atípico para o setor de infraestrutura, com uma sequência de 14 leilões na B3 que colocam à prova o apetite de investidores por grandes contratos públicos e concessões.

Os certames abrangem aeroportos, saneamento, rodovias e projetos sociais, e reúnem governos estaduais, agências reguladoras e o BNDES como estruturadores das concorrências.

Entre os destaques está o leilão simplificado do aeroporto do Galeão, marcado para 30 de março, e projetos que, no conjunto, podem atrair até R$ 41 bilhões em investimentos privados, conforme informação divulgada pela CNN Infra.

Galeão, regras novas e a tentativa de virar página

O leilão do Galeão busca resolver problemas acumulados desde 2013, quando o aeroporto foi arrematado por um consórcio que pagou R$ 19 bilhões por um ativo que se mostrou impagável diante da recessão e da pandemia.

Em 2025, o Galeão movimentou 18 milhões de passageiros, o que representou 13% de todo o fluxo nacional, e é considerado uma porta de entrada estratégica para o país.

Com a nova concorrência, o vencedor administrará o terminal sem a sociedade com a Infraero, que hoje detém 49% das ações, ficará dispensado de construir a terceira pista e passará a pagar ao governo uma outorga anual variável, de 20% do faturamento bruto, em vez de um valor fixo.

O secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, afirmou à CNN Infra que “Estamos falando de um ativo fundamental para a conectividade internacional do país, com enorme potencial para consolidar o Rio de Janeiro como um hub de voos de longo curso e ampliar a integração do Brasil às principais rotas aéreas”, e ressaltou que o êxito do leilão será determinante para a competitividade do Brasil no cenário internacional.

PPP de saneamento e metas de universalização

O calendário inclui PPPs com grande impacto social, como a parceria de esgotamento sanitário em Goiás, prevista para 25 de março, que prevê investimentos totais de R$ 6,2 bilhões visando a universalização do saneamento no estado.

A Saneago manterá operações em cidades como Goiânia e Anápolis, e o presidente da empresa, Ricardo Soavinski, apontou a escala do desafio, dizendo, “Tem um número grande de municípios ainda sem esgoto ou com o serviço incompleto. (…) São 216 municípios e 120 povoados para poder atender ou complementar a estrutura que já existia, ou fazer desde o zero”.

Outra PPP relevante é a da Cagepa, na Paraíba, que abrange 85 municípios e prevê cerca de R$ 3 bilhões em investimentos, com leilão marcado para 31 de março.

Rodovias e projetos regionais que movimentam bilhões

O pacote de março inclui grandes concessões rodoviárias, como o Bloco 2 no Rio Grande do Sul, com previsão de investimentos de R$ 6 bilhões, e a Rota Gerais, em Minas Gerais, que reúne a BR-251 e a BR-116, com investimento estimado em R$ 7,3 bilhões ao longo do contrato.

O diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, disse que a expectativa é atrair três a quatro empresas para disputar o projeto em Minas, e destacou, “Vai ser a primeira concessão do ano, conectando a BR-381 e a 2 de Julho, antiga ViaBahia. Então, essa concessão faz um entroncamento importante no norte de Minas Gerais com o estado da Bahia. (…) Estamos com uma perspectiva muito positiva de ter vários concorrentes”.

Além das rodovias, há projetos menores mas relevantes, como a concessão de uma ponte em Minas com investimento de R$ 221 milhões, e a concessão de resíduos sólidos na Bahia, com contrato estimado em R$ 1 bilhão.

Outros leilões, riscos e o papel do BNDES

Março também reserva o leilão da concessão do sistema de transporte de Campinas, com contrato de cerca de R$ 11 bilhões e previsão de R$ 1,7 bilhão em investimentos para renovação de frota, além de iniciativas como a concessão da Floresta Nacional do Bom Futuro, com R$ 171 milhões previstos, e contratos para Parques Cariocas, estimados em R$ 73,4 milhões.

Nem todos os processos seguirão sem percalços, a exemplo da privatização da Celepar, que estava prevista para 17 de março e foi suspensa por uma liminar do ministro Flávio Dino, do STF, por dúvidas sobre a aderência do processo à Lei Geral de Proteção de Dados e à Política Nacional de Segurança Pública.

O texto institucional que acompanha a agenda lembra que, “A concentração de 14 leilões na B3 em um único mês não é apenas um recorde estatístico, mas o reflexo de um amadurecimento institucional que comprova que vivenciamos um momento de aprendizado que nos permitiu estruturar melhores projetos”.

O sucesso do chamado Supermarço da infraestrutura dependerá da capacidade de atrair investidores qualificados, da previsibilidade regulatória e da qualidade dos projetos ofertados, fatores que decidirão se o potencial de R$ 41 bilhões de investimento privado se concretiza nas próximas décadas.