Sindigás se preocupa com aumento de preços do GLP em leilões da Petrobras
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) manifestou grande preocupação com a possibilidade de um aumento significativo nos preços do GLP, o gás de cozinha. A apreensão se dá em função dos leilões que a Petrobras planeja realizar no final de abril.
Segundo o Sindigás, a Petrobras pretende leiloar uma parcela considerável do GLP ofertado, mais de 15% do total, com um ágio mínimo que pode ultrapassar os 30% do preço de lista. Essa estratégia, segundo a entidade, pode ter um impacto direto e negativo no bolso do consumidor brasileiro.
O risco é que o preço do botijão de 13 quilos salte entre R$ 11 e R$ 12, podendo chegar a valores entre R$ 26 e R$ 30 por unidade. O Sindigás classifica essa perspectiva como “absolutamente desastrosa” para o cenário econômico atual, conforme apurado pelo G1.
Petrobras reduz oferta e cria escassez artificial, diz Sindigás
A estratégia da Petrobras envolve a redução da oferta de GLP, o que, na visão do Sindigás, cria uma escassez artificial no mercado. Normalmente, a estatal oferece cerca de 600 mil toneladas de GLP, mas a previsão é de um corte de aproximadamente 90 mil toneladas nessa oferta.
Sérgio Bandeira de Mello, representante do Sindigás, alerta que a combinação de leilões com ágio e a redução da oferta pode levar os preços a patamares ainda mais altos do que os R$ 900 por tonelada inicialmente previstos. “Quando você entra na sistemática de leilão fora do preço de lista da Petrobras, a tendência natural, como você tem uma sensação de escassez de oferta no mercado internacional, além da Petrobras estar leiloando uma parcela que ela retirou da oferta já contratada, é que não pare nos R$ 900 reais por tonelada”, explicou.
Histórico de leilões preocupa o setor de distribuição
O Sindigás relembra um episódio semelhante ocorrido há cerca de um ano, quando um leilão com ágio inicial de R$ 850 por tonelada acabou resultando em valores finais pagos que ultrapassaram R$ 2.700 a R$ 3.000 por tonelada. Essa disparada foi motivada pela intensa disputa entre as distribuidoras pelo produto, que se encontrava escasso.
A principal demanda do setor de distribuição, conforme ressaltado por Bandeira de Mello, é por **transparência nos preços**. “Nosso desejo não é a ideia de que a Petrobras subsidie de forma alguma ou que crie qualquer tipo de artificialização. Pelo contrário, que seja efetivamente transparente em qual é o preço objetivo, mas que mantenha esse preço como preço de lista, para que a gente conheça e para que o mercado não sofra tanto”, concluiu o representante.
Transparência é a chave para evitar impacto no consumidor
O Sindigás defende que a Petrobras apresente o preço objetivo de forma clara, mantendo-o como preço de lista. Essa medida permitiria que o mercado tivesse previsibilidade e evitaria a volatilidade e os aumentos abruptos que prejudicam diretamente o consumidor final. A expectativa é que a estatal atenda ao apelo por maior clareza nas suas operações de venda de GLP.
A entidade enfatiza que a transparência na formação de preços é fundamental para garantir a estabilidade e evitar que o custo do gás de cozinha se torne um fardo ainda maior para as famílias brasileiras, especialmente em um momento de tantas incertezas econômicas. A redução da oferta e a estratégia de leilão são vistas como fatores que podem agravar a situação.