Juros Altos Prejudicam Recuperação Econômica, Apontam Setores Produtivos no Brasil
A recente redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, elevando-a para 14,5% ao ano, não foi suficiente para aliviar as preocupações do setor produtivo brasileiro. Entidades representativas da indústria e do comércio alertam que a taxa de juros permanece em patamar restritivo, o que, segundo elas, agrava a situação econômica do país e dificulta a recuperação.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou em nota que o atual custo do capital continua proibitivo, impedindo a realização de projetos e investimentos essenciais para a competitividade industrial. Paralelamente, o endividamento de empresas e famílias atinge recordes, fragilizando a saúde financeira de toda a economia, conforme aponta Ricardo Alban, presidente da CNI.
Diante deste cenário, o setor produtivo clama por uma intensificação nos cortes da Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). A percepção é de que juros mais baixos se tornaram não apenas desejáveis, mas cruciais para a retomada da produtividade e do bem-estar da população brasileira, como defende o presidente da CNI.
Impacto na Indústria e Construção Civil
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) reforça o alerta, indicando que a manutenção de uma política monetária contracionista tende a aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica. Isso se reflete diretamente na geração de empregos e renda, gerando um ciclo vicioso de dificuldades.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) ecoa essa preocupação, ressaltando que, mesmo com a queda da Selic, os juros elevados continuam a comprometer a expansão do setor imobiliário e a desacelerar o ritmo dos investimentos. A construção civil, considerada estratégica para o desenvolvimento nacional, sente diretamente os efeitos desse ambiente econômico desfavorável.
A CBIC pontua que, embora a inflação exija atenção, especialmente com a alta nos preços de alimentos e transportes, além das incertezas geopolíticas, é fundamental que o Brasil avance para um patamar de juros mais compatível com suas necessidades de desenvolvimento. A continuidade do ciclo de redução da Selic é importante, mas é preciso acelerar a construção de um cenário macroeconômico que favoreça o investimento, a produção e a competitividade.
Desafios Fiscais e Perspectivas para a Selic
Por outro lado, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) reconhece a complexidade da situação, que pressiona o Banco Central devido a fatores como a guerra no Oriente Médio e a desancoragem das expectativas de inflação. Um terceiro elemento crucial, segundo a entidade, são as frágeis contas públicas do país.
A FecomercioSP aponta que a ausência de avanços concretos no controle fiscal e o crescimento das despesas obrigatórias exigem uma postura cautelosa do Banco Central, que se manifesta através de juros altos. A entidade sugere que o BC só terá condições de aprofundar o ciclo de cortes da Selic quando houver um compromisso claro do governo com o equilíbrio fiscal.
Considerando o cenário eleitoral e a perspectiva de aumento dos gastos públicos, a FecomercioSP alerta para a possibilidade de a taxa Selic permanecer alta por mais tempo do que o mercado espera, possivelmente terminando o ano na casa dos 13%. Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), descreveu o cenário como “insustentável” em nota à imprensa.