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Seca nos EUA Impulsiona Preço do Algodão: Futuros Disparam 2,22% em Nova York com Impacto Climático Global

Algodão em Alta: Seca nos EUA e Dólar Fraco Elevam Preços em Nova York

Os contratos futuros do algodão fecharam a sessão desta quinta-feira (09) com avanços significativos na Bolsa de Nova York, impulsionados por uma combinação de ajustes técnicos e pela percepção do mercado sobre os fundamentos da commodity. O vencimento para maio registrou um ganho expressivo de 2,22%, alcançando a cotação de US$ 73,26 por libra-peso.

No cenário internacional, o ambiente foi favorável às commodities, com a queda do dólar e a alta do petróleo, fatores que historicamente oferecem suporte indireto aos preços das fibras naturais. No entanto, o clima se consolida como o principal motor da volatilidade para o algodão.

De acordo com Pery Pasotti Pedro, consultor independente, a persistente seca nos Estados Unidos, especialmente no Texas, principal estado produtor, ocorre em um momento crucial de início de plantio. A área afetada pela estiagem avançou de 93% para 95%, um índice consideravelmente acima da média histórica para o período, reforçando a influência das condições climáticas sobre os preços. Conforme informações divulgadas pela CNN, o consultor destacou que, apesar da menor relevância global dos EUA em termos de produção e consumo, o país detém um peso desproporcional na formação de preços internacionais. Isso se deve ao fato de os contratos negociados na bolsa terem entrega física em território americano, o que amplifica o impacto de fatores locais, como o clima, sobre as cotações globais.

USDA Apresenta Poucas Mudanças em Relatório Mensal

O relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe poucas alterações para o mercado americano. Os estoques finais de algodão nos EUA foram mantidos em 4,4 milhões de fardos, e o preço médio à vista subiu um centavo, para 61 centavos de dólar por libra-peso. Globalmente, o balanço apontou um leve aumento nos estoques finais, totalizando 77,04 milhões de fardos, um crescimento de 0,65 milhão de fardos.

Os dados semanais de exportação indicaram vendas de 319,58 mil fardos para a safra 2025/26 na semana encerrada em 2 de abril. Para a nova safra, o volume foi de apenas 14.051 fardos, o menor desde o início de janeiro. Os embarques somaram 342.744 fardos, também no menor nível das últimas três semanas, demonstrando uma desaceleração na demanda externa.

China Revê Números e Outras Commodities Registram Quedas

No cenário global, o USDA revisou para cima os números da China, com um aumento de 65 mil fardos na produção e de 100 mil no consumo. Consequentemente, as importações chinesas também avançaram em 100 mil fardos, resultando em uma leve redução nos estoques finais. O consultor Pery Pasotti Pedro observou que, no restante do mundo, as mudanças foram marginais, com a produção global subindo menos de 1% e os estoques finais crescendo levemente, enquanto os volumes de consumo, exportações e importações permaneceram praticamente estáveis.

Em contraste com o algodão, outros importantes produtos agrícolas registraram quedas. Os preços do açúcar na Bolsa de Nova York encerraram o dia em baixa, com o vencimento para maio registrando uma desvalorização de 2,18%, cotado a US$ 13,92 por libra-peso. Essa pressão nos preços do açúcar ocorre após a Índia afirmar que não tem planos de proibir as exportações de açúcar este ano, aliviando preocupações sobre desvios para a produção de etanol.

Cacau e Café Também Fecham em Baixa

Os contratos futuros do cacau também finalizaram a sessão com desvalorização de 1,06% na Bolsa de Nova York, com o vencimento para maio cotado em US$ 3.162 por tonelada. O aumento da oferta de cacau da Costa do Marfim, que registrou um aumento de 0,7% nas exportações para os portos no atual ano comercial, é um fator negativo para os preços. Além disso, os estoques de cacau subiram para um pico de 19,25 meses, atingindo 2.505.563 sacas.

Já os preços futuros do café arábica encerraram a sessão com leves quedas em Nova York, com o vencimento para maio registrando baixa de 0,12%, precificado em US$ 2,937 por libra-peso. A valorização do real brasileiro, que atingiu a maior cotação em 23 meses frente ao dólar, limitou as quedas, pois um real mais forte desestimula as exportações dos cafeicultores brasileiros. Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados pela ICE Futures estão em 548.544 sacas, com um pequeno aumento em relação ao dia anterior.

O contrato futuro para entrega em maio do suco de laranja fechou o dia na bolsa de Nova York com uma forte queda de 5,51%, cotado a US$ 1.938,00 por tonelada, evidenciando a diversidade de movimentos no mercado de commodities agrícolas.